Eu estava me preparando para emendar mais um turno no hospital quando Brenda, uma colega residente, começou a gritar por mim. — Estou aqui! — Grace? — Ela me encontrou entre os armários e juntou as mãos como pedido. — Sei que você vai dobrar, mas queria te pedir um favor imenso. — Diga, Brenda. — Eu tenho um compromisso inadiável amanhã de manhã, com a escola do meu filho. Você poderia trocar comigo? Você pega meu turno amanhã e eu fico com o seu de hoje. — Tudo bem. — disse eu, com um sorriso cansado. — Eu cubro você amanhã. — Sério? — Os olhos dela se arregalaram. — Sim. Vou aproveitar e fazer uma surpresa para o Derek. — Você é um anjo, Grace! Um anjo! Enquanto ela saía correndo, eu me permiti sorrir. A fadiga desapareceu de imediato. Peguei minha bolsa e saí para o ar fresco da tarde. Em vez de ir para casa dormir, dirigi direto para o mercado gourmet do centro. Eu queria mimá-los. Estávamos todos muito ocupados ultimamente. Eu, com as cirurgias de emergência, Derek, com os contratos da agência, e Jéssica, minha melhor amiga que se mudara para o nosso quarto de hóspedes há seis meses após perder o emprego. Quase não nos víamos, apesar de dividirmos o mesmo teto. Comprei bifes. Peguei duas garrafas de um Cabernet Sauvignon envelhecido que Derek adorava e uma torta de limão que era a favorita de Jéssica. — Vai ser uma noite perfeita — murmurei para mim mesma enquanto o caixa passava os itens. Dirigi até nosso prédio com o rádio ligado, cantando baixinho. Subi animada, pronta para gritar "Surpresa!", mas as palavras morreram na minha garganta antes de nascerem ao ouvir os ruídos abafados e rítmicos. Franzi a testa e deixei as sacolas no chão da entrada, sem fazer barulho. Encontrei roupas e sapatos no caminho do corredor. — Isso... mais forte, Derek, meu Deus... Cheguei na porta da sala de estar, que estava entreaberta. Eu olhei. Derek estava por cima dela. As costas dele, que eu conhecia tão bem, cada sarda, cada músculo, se contraíam com o esforço. Jéssica estava embaixo dele, as pernas envolvendo a cintura do meu namorado, a cabeça jogada para trás, os cabelos loiros espalhados pelo estofado. Eles estavam em um frenesi. Havia uma conexão perversa na forma como as mãos dele seguravam os quadris dela, na forma como ela arranhava as costas dele, que me dizia que aquela não era a primeira vez. Nem a segunda. Como médica, eu estava acostumada a reagir rápido. Mas ver o homem que eu amava penetrando minha melhor amiga foi um golpe que me deixou zonza. Abri a porta em automático e o movimento no sofá parou instantaneamente. Derek virou a cabeça, os olhos arregalados, o rosto vermelho de esforço e prazer transformando-se em choque. Jéssica empurrou o corpo dele e se cobriu com uma almofada, soltando um grito agudo e ridículo. — Grace? — A voz de Derek saiu rouca. — O que você está fazendo aqui? Você não tinha plantão? — O que eu estou fazendo aqui? — Olhei para as sacolas na entrada. — Eu vim fazer uma surpresa. Um jantar. Jéssica começou a chorar. — Grace, amiga, por favor, não é o que você está pensando... — ela balbuciou, tentando puxar o vestido para cobrir o corpo. — Não é o que eu estou pensando? — Eu ri. Devo parecer muito burra pra ela, né? — Vocês estão nus no meu sofá. O membro do meu namorado ainda está... — Apontei, sentindo a bile subir na garganta. — Não insulte a minha inteligência, Jéssica. Eu pago o teto sobre a sua cabeça! Derek finalmente se levantou, vestindo a calça às pressas. Mas em vez de cair de joelhos e pedir perdão, a expressão dele endureceu. — Sabe de uma coisa, Grace? Talvez se você estivesse em casa mais vezes, isso não tivesse acontecido — disparou ele. — O quê? — Recuei um passo, surpresa com o ataque repentino. — Você é fria — continuou ele, ganhando confiança na própria canalhice. — Você vive naquele hospital. Você chega em casa cheirando a morte, cansada demais para me tocar. A Jéssica... ela está sempre aqui. Ela me escuta. Ela me admira. Ela é uma mulher de verdade. — Eu trabalhava para sustentar nós três! — gritei, as lágrimas finalmente transbordando, quentes e dolorosas. — Eu pago a comida que você e essa vadia comem! — E você nunca nos deixa esquecer disso, não é? — Ele zombou. — A grande e bondosa Dra. Reed. Mas adivinha? Não preciso da sua caridade. Olhei para Jéssica, esperando que pelo menos ela dissesse que ele estava louco já que quem a sustentava era eu. Mas ela apenas desviou o olhar, murmurando: — Ele se sentia sozinho, Grace. A gente se apaixonou. Aconteceu. Eu olhei para os dois. Duas pessoas que eu amava tanto. E de repente, pareciam estranhos. — Saiam daqui — sussurrei. — O apartamento está no meu nome também, Grace — Derek disse, com um sorriso cruel. — Na verdade, acho que você deveria sair. Você está histérica. Não dá para conversar com você assim. — Quer saber... Eu estou cansada demais pra discutir. — Saí do apartamento deixando a porta aberta. Cheguei à calçada, o ar frio bateu no meu rosto molhado. Eu não sabia para onde ir. Foi quando meu celular tocou no bolso. Limpei o rosto com as costas da mão, tremendo. Olhei para a tela. "Hospital Geral NY - Administração". Atendi, tentando firmar a voz. — Dra. Reed falando. — Dra. Grace Reed? Aqui é Richard, do departamento jurídico e de ética do hospital. Franzi a testa. Jurídico? — Sim, Richard. Aconteceu alguma coisa? — Dra. Reed, estou ligando para informar que você está suspensa de todas as suas funções médicas, com efeito imediato. Não apareça para o seu próximo turno. — O quê? Do que você está falando? Capítulo 2: Você é uma egoísta e ingrata! GRACE REED — O quê? Do que você está falando? — Minha voz tremeu. — Encontramos frascos de Oxicodona e Fentanil no seu armário pessoal, Dra. Reed. E os registros digitais mostram que eles foram retirados com a sua senha — Richard disse. — Isso é impossível! Eu nunca... Alguém deve ter pegado minha senha, alguém colocou isso lá! — gritei para o telefone, atraindo olhares de pedestres curiosos. — Richard, eu dedico minha vida a esse hospital! — As provas são contundentes, Grace. Há imagens de segurança também. Não tente piorar a situação aparecendo no hospital. O conselho vai se reunir, mas sugiro que procure um advogado criminalista. Até logo. A linha ficou muda. Deixei o celular cair na bolsa, sem acreditar que tudo isso era real. Em menos de duas horas, perdi meu namorado, minha melhor amiga, minha casa e agora minha carreira. Alguém tinha plantado aquilo. Eu precisava de um abraço. Precisava de alguém que me dissesse que tudo ficaria bem. Entrei no meu carro e dirigi até a casa dos meus pais, no subúrbio. Eles sempre foram exigentes, mas eram minha família. Eles me acolheriam. Cheguei lá com o rosto inchado e a maquiagem borrada. Minha mãe abriu a porta e, antes que ela pudesse falar, entrei na sala desabando no sofá. — Mãe... o Derek... ele me traiu com a Jéssica — solucei, as palavras saindo atropeladas. — E o hospital... me suspenderam, mãe. Disseram que roubei remédios. Minha vida acabou. Minha mãe, sentada na poltrona com uma revista na mão, suspirou. — Isso é ruim, Grace, muito chato mesmo — disse ela, como se eu só tivesse quebrado uma unha. — Mas precisamos falar de algo sério agora. Levantei a cabeça, confusa, limpando as lágrimas. — Sério? Mãe, eu acabei de dizer que perdi tudo! O que poderia ser mais sério que isso? — A Ruby foi aceita na agência de modelos, Grace! — Ela sorriu, ignorando meu desespero. — É a grande chance da sua irmã. Mas o curso preparatório e o book custam cinco mil dólares. Você precisa transferir o dinheiro hoje. O prazo acaba amanhã. Fiquei olhando para ela, paralisada. — Você por acaso ouviu alguma coisa do que eu disse? — perguntei, desacreditada. — Eu fui suspensa. Não vou receber salário. Meus advogados vão custar uma fortuna para provar minha inocência. Talvez congelem minhas contas! Eu não tenho cinco mil dólares para dar para a Ruby brincar de modelo! Meu pai entrou na sala nesse momento, segurando uma cerveja. — Como é que é? — Ele franziu a testa e vi seu rosto rapidamente ficando vermelho. — Você vai negar um futuro para a sua irmã? Depois de tudo que fizemos para você virar médica? — Fizemos? — Eu me levantei, sentindo indignação queimar o resto da minha tristeza. — Eu paguei minha faculdade sozinha! Eu trabalho feito uma condenada! Eu preciso desse dinheiro para não ir para a cadeia! — Você é uma egoísta e ingrata! — meu pai explodiu, apontando o dedo na minha cara. — Você sempre teve tudo. Sempre foi a mais inteligente e cheia de oportunidades. Agora a Ruby tem a chance dela e você quer cortar as asas da menina por pura inveja! — O quê?! Eu não tive oportunidades! Eu as criei! Olhei para o canto da sala. Ruby estava encostada na parede, lixando as unhas. Ela me olhou e deu um sorrisinho presunçoso, sabendo que era a favorita. — Grace, transfira o dinheiro agora ou não precisa mais aparecer aqui — meu pai decretou. Senti como se tivesse levado um tapa físico. Para eles, eu não era uma filha. Eu era só um caixa eletrônico. Se não cuspisse dinheiro, não servia para nada. Peguei minha bolsa e saí da casa onde cresci, ouvindo meu pai gritar insultos atrás de mim. Entrei no carro, mas não liguei o motor para partir. Eu não tinha para onde ir. Me hospedar uns dias em um hotel seria caro demais para quem podia precisar de advogados competentes em breve. Bebida. Sim, preciso de algo e desligar meu cérebro. Dirigi até meu bar favorito. — Garrafa? — o barman perguntou. — Copos. Muitos deles. Virei o primeiro. O segundo. O terceiro. O ardor na garganta era bem-vindo e distraía a dor no meu corpo. O mundo começou a ficar ligeiramente nublado, o que era ótimo. — Ei, gatinha... — Uma mão pousou no meu ombro. Um homem com cheiro de cerveja barata e suor se encostou em mim. — Você parece muito sozinha. Que tal irmos para o meu carro? — Sai fora. — Murmurei, tentando empurrá-lo, mas minhas mãos pareciam tão zonzas quanto eu. — Ah, não se faça de difícil... — Ele apertou meu braço. De repente, uma sombra cobriu nós dois. — O senhor não ouviu a dama? Ela disse para sair. A voz era grave, aveludada e demonstrava uma autoridade que fez os pelos da minha nuca se arrepiarem. O bêbado olhou para cima e empalideceu. O homem parado atrás dele usava um terno, feito sob medida, que gritava dinheiro e poder. Mas eram seus olhos escuros que assustavam. E talvez a altura... Uau, ele é grande. O bêbado soltou meu braço e saiu tropeçando. O homem misterioso puxou o banco ao meu lado e se sentou. Ele fez um sinal para o barman, que imediatamente lhe serviu um uísque sem que ele precisasse pedir. Ele se virou para mim e agora tive chance de notar que ele é devastadoramente bonito, com traços fortes e uma mandíbula marcada, seus cabelos eram castanhos escuros... ou claros, não sei, essa iluminação me deixa confusa. Me senti atraída como uma mariposa para a chama. Ele me analisou, seus olhos varreram meu rosto e meu estado que devia ser deplorável. — Você parece alguém que quer esquecer de tudo esta noite — o estranho bonito comentou. Eu olhei para o fundo do copo vazio, depois para os olhos escuros dele. Eu não tinha mais nada a perder. Minha vida "perfeita" era uma mentira. Eu estava cansada de ser a boa moça, a boa filha e a boa namorada. Levantei o olhar para ele, um sorriso imprudente e ferido curvou meus lábios. — Mas você pode me ajudar a lembrar de alguma coisa... Capítulo 3: O novo diretor GRACE REED — O que me diz? — Estiquei a mão e deslizei no corpo dele. — Você tem certeza disso? — Ele segurou meu queixo, obrigando-me a encará-lo. — Eu não costumo me aproveitar de mulheres embriagadas e tristes em bares. — Eu só tomei três doses — respondi, e era verdade. Posso ter tomado rápido demais, mas meu juízo estava em ordem. — Estou perfeitamente consciente. — Só três... — Ele me olhou fundo nos olhos, como se pudesse avaliar minha sobriedade assim. — Eu não sei quem você é — continuei, passando a ponta dos dedos pela lapela do terno dele. — Mas você está me olhando como se me quisesse. E, agora, isso é tudo o que eu preciso. Ele não disse mais nada. Pagou a conta para nós e me guiou para fora do bar com uma mão firme nas minhas costas que me fez estremecer. Caminhamos apenas uma quadra até um hotel de luxo. Ele nem precisou fazer check-in, apenas cumprimentou o porteiro e fomos direto para o elevador privativo da cobertura. Assim que a porta do quarto se fechou, ele me prensou contra a madeira. A boca dele tomou a minha com uma fome e urgência que me deixaram tonta. Derek nunca me beijou assim. Derek era carinhoso e previsível. Com Derek, eu sabia onde as mãos dele iriam, sabia o ritmo, sabia o final. Não era ruim, só era confortável. As mãos dele percorreram meu corpo como se ele já conhecesse cada curva. Quando ele tirou minha blusa, eu não senti medo. Senti liberdade. Ele me levou para a cama, e a maneira como se moveu sobre mim me fez sentir pequena e protegida ao mesmo tempo. Aquele homem estava me devorando. O toque dele era diferente de tudo o que eu já tinha sentido. Onde Derek era hesitante, esse estranho era decidido. Ele sabia exatamente onde tocar para fazer meu corpo arquear, sabia a pressão exata, o ritmo exato. Cada movimento dele me fez sentir um prazer inimaginável. Eu me peguei gritando e emitindo sons que eu nem sabia que podia fazer, sons que eu nunca tinha soltado antes. — É isso que você queria lembrar? — ele sussurrou contra o meu pescoço, mordendo a pele sensível ali e soprando em seguida. — Eu vou fazer você esquecer tudo, exceto de mim. A habilidade dele era devastadora. Ele me levou à beira do abismo e me segurou lá, prolongando o prazer até que se tornasse quase insuportável. Com esse homem, eu não precisava fazer nada além de sentir. Ele estava totalmente no comando. Quando o clímax finalmente veio, foi violento e perfeito. Meu corpo inteiro convulsionou de uma forma que nunca tinha acontecido antes. Eu me desfiz nos braços dele. Tudo que eu tive antes era morno. O que eu acabei de experimentar com esse estranho foi fervente. Era pura ebulição. [...] A luz do sol invadiu o quarto sem piedade, atingindo meu rosto para avisar que o dia tinha amanhecido. Abri os olhos e gemi. Virei-me na cama, esperando ver o homem misterioso, mas o lado dele estava vazio. Os lençóis ainda estavam amassados e com o cheiro dele. Meu Deus... o que eu fiz? Dormi com um desconhecido. Eu, Grace Reed, a aluna modelo e médica séria, tive um caso de uma noite? Céus, eu não perguntei nem o nome dele. Levei a mão ao rosto envergonhada de mim mesma, quando vi um papel em cima do criado-mudo, ao lado de um copo d'água e dois comprimidos de aspirina. "Fui buscar café e algo decente para comermos. Não vá embora. Volto em vinte minutos." A letra era forte e inclinada. Isso quer dizer que ele vai voltar? Café da manhã? Conversar à luz do dia? Não, eu não podia encarar isso. A magia da noite tinha evaporado, deixando apenas a realidade suja da minha vida. Engoli as aspirinas a seco, vesti minhas roupas de ontem e peguei minha bolsa. Fugi do quarto como uma ladra, rezando para não cruzar com ele no caminho. Peguei um táxi já que abandonei meu carro no bar e voltei para o meu apartamento. Ou melhor, o apartamento de Derek e Jéssica agora. No caminho meu celular apitou. Um e-mail urgente. "Prezada Dra. Reed, o novo Diretor do Hospital solicita sua presença imediata em seu escritório às 10:00h para deliberar sobre a revogação permanente da sua licença médica diante das acusações." Novo diretor? O antigo, Dr. Wilson, tinha se aposentado semana passada, mas eu não sabia que o substituto já tinha assumido. E ele já queria minha cabeça. Olhei para o relógio. 08:30h. Cheguei ao prédio e entrei prendendo a respiração. Silêncio. Graças a Deus, eles não estavam. Corri para o quarto e tomei um banho rápido. Vesti um terninho, o mais profissional que encontrei, e prendi o cabelo num coque apertado. Peguei um táxi até o bar e depois de recuperar meu carro, dirigi direto para o hospital. Eu não podia perder minha licença. Era a única coisa que me restava. Eu farei qualquer coisa, iria implorar, ia explicar e ia pedir uma investigação. Cheguei ao andar da diretoria. As enfermeiras no corredor pararam o que estavam fazendo para me olhar. Vi os cochichos, os olhares de pena e de julgamento. — A "viciada" teve coragem de vir... — ouvi um sussurro. Ergui o queixo, ignorando todos, e caminhei até a porta da sala do diretor. Bati duas vezes e entrei de cabeça baixa. — Bom dia — minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria. — Sou a Dra. Reed. O senhor queria me ver? Com certeza é um senhor idoso, severo e careca. Alguém conservador que me daria um sermão sobre ética e não me ouviria, mas não vou desistir. — Sente-se, Dra. Reed. A voz. Eu conhecia aquela voz. Tinha ouvido sussurros roucos e dominantes daquela mesma voz no meu ouvido há menos de seis horas, me dizendo para abrir as pernas e muitas outras coisas. Meus olhos se arregalaram e ergui a cabeça rapidamente. Lá estava ele. O terno perfeito, o cabelo escuro bem penteado e aqueles olhos profundos e hipnotizantes que me analisaram no bar. Era realmente o homem com quem eu tinha dormido e de quem tinha fugido esta manhã. Ele entrelaçou os dedos sobre a mesa e arqueou uma sobrancelha. — Sente-se. Nós teremos muito o que conversar, Grace. Capítulo 4: Nada nessa vida é de graça, Grace GRACE REED Me aproximei da cadeira e meus joelhos cederam. O homem à minha frente era o mesmo homem que horas atrás estava nu, suado e gemendo comigo em um hotel cinco estrelas e também era meu novo chefe. — É um prazer te receber. Sou Dominic Thorne. O novo Diretor Geral e chefe do conselho administrativo do hospital geral de Nova York. Diretor geral, Dominic Thorne. Eu tinha dormido com o diretor e agora, ele tinha minha vida nas mãos. Tentei formular um cumprimento qualquer, mas nada saiu além de um suspiro. Ele pegou uma pasta bege da mesa. — Dra. Grace Reed — ele pronunciou o rótulo, embora seus olhos não deixassem os meus. — Excelente médica. Notas perfeitas na faculdade. Recomendações estelares de todos os supervisores. Um histórico completamente limpo... até ontem à noite. Ele abriu a pasta e folheou os papéis enquanto minha ansiedade atingia picos nunca antes alcançados. — Sr. Thorne... Diretor... — Minha voz falhou miseravelmente e respirei fundo tentando focar no que era importante. — Eu não sei o que dizer. Sobre... sobre tudo isso. — Vamos nos ater aos fatos por um momento, Dra. Reed. Ele puxou uma folha de papel e a deslizou pela mesa em minha direção. Era o relatório de segurança. — A acusação é grave. Roubo de substâncias controladas. Fentanil e Oxicodona. Medicamentos que valem muito dinheiro no mercado clandestino e que destroem carreiras em segundos. O relatório diz que sua senha foi usada no dispensário às 19:45h. Ele entrelaçou os dedos na frente do rosto, observando-me como um falcão observa um rato de campo. — No entanto, eu sou um homem de detalhes, Grace. E há algo nesse relatório que me incomoda profundamente. Ele girou o computador para que eu pudesse ver a tela. Era um gráfico de turnos e registros de acesso. — Às 19:45h, você deveria estar mesmo no seu plantão e não mostra uma troca com outro funcionário. Mas sabemos que você não estava aqui ontem. — Não que seja possível usá-lo como testemunha de que estávamos juntos, aposto que ele não ia querer essa fofoca. Era mais provável me mandar pro olho da rua. — A menos que você tenha a habilidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo, é fisicamente impossível que você tenha digitado essa senha. — Exatamente! — exclamei, sentindo as lágrimas de frustração queimarem meus olhos. — Brenda... Brenda sabia minha senha. Ela me pediu para trocar o turno... com certeza ela armou tudo isso. Dominic assentiu lentamente. — Eu sei que foi uma armação. O sistema de câmeras do corredor do dispensário tem um ponto cego, convenientemente explorado, mas a câmera do elevador mostra a Dra. Brenda saindo com uma bolsa volumosa às 20:00h. Eu quase sorri de alívio. — Então eu posso voltar ao trabalho? O senhor vai limpar meu nome? Dominic fechou a pasta e se levantou. — Não é tão simples assim. Ele contornou a mesa. A cada passo que ele dava em minha direção, a memória do corpo dele sobre o meu invadia minha mente sem permissão. — O conselho não está interessado na verdade, Grace. Eles estão interessados em conter danos. — Ele parou na minha frente, apoiando o quadril na beirada da mesa. — O desaparecimento dos medicamentos já vazou para a imprensa. Eles querem uma cabeça numa bandeja. E a sua já está servida. — Mas eu sou inocente! — protestei, levantando-me num impulso de desespero, o que foi um erro. Agora estávamos a centímetros de distância. O cheiro dele me atingiu e minha respiração engatou. — Sim, nisso você é... — Ele disse suavemente, olhando para a minha boca e minhas bochechas esquentaram violentamente. Um canto da boca dele se curvou num sorriso mínimo. — Você está vermelha, Dra. Reed. Está com calor? O ar condicionado está no máximo. — Eu... eu estou sob muita pressão — gaguejei, recuando um passo e Dominic deu mais um passo à frente, eliminando a distância que eu tentei criar. Ele inclinou a cabeça, deixando sua boca perigosamente perto da minha orelha. — Engraçado... ontem à noite, você parecia lidar muito bem com a pressão. — Por favor, Sr. Thorne... isso é assédio — sussurrei, sem convicção alguma. — Isso é a realidade, Grace — ele recuou, voltando a ser profissional. — A realidade é que nós compartilhamos uma noite. E a outra realidade é que sua carreira acabou. Sentei-me novamente, derrotada. — Então é isso? — perguntei, sentindo a exaustão esmagar meus ombros. — Eu perdi tudo? — Existe uma saída — ele disse e levantei a cabeça rapidamente. — Qual? Eu faço qualquer coisa. — Eu posso fazer esse processo desaparecer. Não em meses, mas hoje. Tenho autoridade para demitir a Dra. Brenda por má conduta e expor a verdade de uma forma que transforme você em uma vítima, não em uma viciada suspeita. Posso restaurar sua reputação, seu salário e seu futuro. — Por quê? — perguntei, desconfiada. — Por que você faria isso por alguém que acabou de conhecer? Só porque dormimos juntos? Ele riu. — Eu admito que não consigo resistir ao seu corpo. Mas a verdade é que você tem algo que eu quero. Minha cabeça doía, tentando acompanhar o raciocínio dele. — Eu não estou entendendo. — Nada nessa vida é de graça, Grace. Eu posso salvar a sua carreira, devolver sua vida e te dar proteção contra qualquer um que tente te derrubar. Tanto nesse hospital quanto fora dele. Mas para isso, você também tem que me dar uma coisa. — O quê? — perguntei, embora temesse a resposta. Dominic Thorne sorriu genuína e alcançou seus olhos, tornando-o mais bonito e aterrorizante. — Em troca, Dra. Reed... Eu quero a sua mão em casamento. Capítulo 5: Casar com um homem que conheci ontem? DOMINIC THORNE Confesso que quando vi Grace cruzar a porta me surpreendi, mas isso só me dava mais uma razão para fazer a ela a proposta. Observei o choque paralisar o rosto dela. Grace me olhava como se eu tivesse acabado de anunciar que era um alienígena, e não que queria me casar com ela. Para ela, aquilo podia parecer loucura. Para mim, era apenas a jogada mais eficiente que fiz nos últimos anos. Se ela é tão esperta quanto acho que é, ela vai aceitar. O que teria a perder se casando comigo? Aos trinta e dois anos, estou no auge da minha forma física. Eu uso minha aparência como uma arma, tanto nos negócios quanto com as mulheres. E na noite passada eu vi, que Grace não era imune. Ela seria perfeita para resolver meu maior problema no momento: minha avó, Eleanor Thorne. A matriarca da família estava segurando a segunda metade da minha herança bilionária e o controle total do conglomerado médico. A condição dela era arcaica: para assumir o poder completamente, eu precisava deixar de ser o "playboy irresponsável" e me tornar um "homem de família". Ela ameaçou passar o controle para meu primo, um tolo que não sabe diferenciar um bisturi de uma faca de manteiga, só porque ele é casado e tem dois filhos. Eu precisava de uma esposa. E rápido. Meus olhos voltaram para Grace Reed. Analisei-a com cuidado. Ela era bonita, mas de uma forma elegante, não vulgar. Era médica, o que agradaria imensamente a velha Eleanor, que valorizava o intelecto e o status. E o mais importante: ela estava desesperada. Grace estava encurralada. Sem emprego, sem apoio, com a reputação na lama. Pessoas desesperadas são leais a quem as salva. Além disso, havia o fator bônus. A química entre nós era muito boa. Se eu vou ser forçado a um casamento de fachada por um ano, que seja com alguém que eu tenha prazer em levar para a cama. Isso evitaria que eu procurasse diversão fora de casa e gerasse escândalos. Ela era perfeita. Minha candidata ideal caiu de bandeja diante de mim. — Você está falando sério? — A voz dela quebrou meu raciocínio. — Nunca falei tão sério, Grace. — Inclinei-me para frente. — Vamos colocar as cartas na mesa. Eu tenho um problema com minha herança e isso exige que eu me case. Você também tem um problema já que sua vida virou um inferno e você está prestes a perder sua licença médica. — Sua herança é a razão então? — Acho que terei que ser mais óbvio. — Eu não estou procurando amor, Grace — continuei, sendo brutalmente honesto. — Estou procurando uma parceira de negócios. O contrato é simples e durará um ano. Durante doze meses, você será a Sra. Thorne. Você vai sorrir em jantares beneficentes, vai segurar meu braço em eventos e vai me ajudar a convencer minha avó de que estamos apaixonados. — Você faz parecer tão fácil... — ela sussurrou. — É fácil. Se assinar, eu demito a Brenda e exponho a armação dela hoje mesmo. Sua licença continua intacta. Garanto que só terá ganhos. Vi a dúvida e o medo nos olhos dela. GRACE REED Casamento? Com um homem que conheci ontem? Isso era loucura. Era imoral. Era a proposta mais absurda que já ouvi. — Eu não posso... — comecei a dizer, pronta para me levantar e sair correndo. — Isso é ridículo. Não vou me vender por um emprego, Sr. Thorne. Eu posso provar minha inocência sozinha. Assim que terminei a frase, meu celular vibrou violentamente na bolsa. Ergui-o e olhei para a tela. Duas novas mensagens. A primeira era de Derek: "Jéssica não se sente confortável com suas coisas aqui. Busque até as 17h ou mandarei o porteiro jogar fora. E devolva a chave." Esses lixos, nojentos, traidores! Dá pra acreditar? A segunda mensagem era da minha mãe: "Consegui adiar o prazo da agência até o meio-dia. Grace, não seja egoísta. A Ruby está chorando no quarto. Se você não transferir esse dinheiro agora, esqueça que tem mãe." Guardei o celular e olhei ao redor daquele escritório luxuoso. Lá fora, eu não tinha casa. Não tinha família. Não tinha dinheiro para manter advogados em um processo longo. Eu seria presa ou viveria com uma mancha eterna no currículo, trabalhando em subempregos para sobreviver, enquanto Derek e Jéssica riam no meu sofá e minha família me odiava. Aqui dentro, diante desse homem lindo e poderoso, eu tinha uma chance. Ele não disse nada. Apenas abriu uma gaveta da mesa e de lá, ele tirou uma pequena caixa de veludo. — Eu mandei fazer isso semana passada — ele comentou casualmente. — Eu estava procurando a candidata ideal e decidi que essa mulher é você. Ele abriu a caixa. Um diamante solitário, enorme e límpido, brilhou sob as luzes do escritório. Era o anel mais bonito e ostensivo que eu já tinha visto. Dominic parou na minha frente novamente. A imponência do corpo dele bloqueava a luz da janela, envolvendo-me em sua sombra. Ele estendeu a caixa aberta na minha direção. — Diga sim, Dra. Reed, e seus problemas acabam agora. Você sai daqui como minha noiva, com sua carreira salva e o mundo aos seus pés. — Ele fez uma pausa enquanto seus olhos escuros perfuravam os meus. — Diga não, e você sai por aquela porta sem emprego, sem casa e com um processo criminal nas costas. O que vai ser? Capítulo 6: O Contrato de Diamante GRACE REED Olhei para o anel dentro da caixa de veludo. Aquele diamante valia mais do que todos os anos de salário que eu perderia se fosse demitida. Pensei em Derek e no sorriso cruel dele enquanto me expulsava do apartamento que eu pagava metade. Pensei em Brenda, minha "amiga", colocando medicamentos no meu armário para salvar a própria pele ou apenas por pura maldade. Pensei na minha família, que só me via como um talão de cheques ambulante. O mundo tinha sido cruel com a minha bondade. Talvez fosse hora de parar de ser boa e aceitar ser a intocável "Sra. Thorne". Ergui o olhar para Dominic que não parecia ansioso, ele estava certo da vitória e eu não iria contra suas expectativas. — Sim. Eu aceito. Dominic não sorriu abertamente, mas houve um brilho de triunfo naqueles olhos escuros. Sem dizer uma palavra, ele tirou o anel da caixa. Estendi minha mão esquerda e ele segurou meus dedos com firmeza, deslizando o anel. Passou pela articulação sem nenhum esforço e pousou na base do meu dedo como se tivesse sido moldado especificamente para a minha anatomia. — Perfeito. — Ele murmurou, ainda segurando minha mão, observando a joia. — Agora, devo cumprir minha parte do acordo. Ele soltou minha mão e pressionou um botão no interfone da mesa. — Sra. Potts, mande o chefe de segurança e a Diretora de RH virem para a minha sala. — Imediatamente, Sr. Thorne. A porta se abriu segundos depois. Um homem corpulento de uniforme e uma mulher de meia-idade com cara de poucos amigos entraram. — Sr. Thorne? — a mulher do RH perguntou. — Sente-se, Vivian. Você também, Jorge. Dominic nem se levantou, apenas girou o monitor do computador novamente. — Jorge, eu revisei as filmagens de segurança do corredor do dispensário. Vocês alegaram um ponto cego, correto? — Sim, senhor. A câmera 4 estava inoperante — o segurança respondeu. — Curioso. Porque eu acessei o servidor de backup da nuvem e a câmera 4 gravou perfeitamente. Parece que alguém tentou deletar o arquivo local, mas esqueceu que nosso sistema é espelhado. Dominic clicou em um arquivo. Na tela, com uma clareza em alta definição, apareceu Brenda. Ela olhava para os lados, digitava algo no teclado — minha senha, que ela devia ter decorado ao me ver digitar mil vezes — e enchia o armário com frascos. Senti um alívio tão grande que minhas pernas amoleceram. — Vivian. Quero a Dra. Brenda demitida por justa causa imediatamente. Notifique o conselho de medicina e a polícia. Entregue essas imagens como prova. — Sim, Sr. Thorne! Imediatamente! — A mulher anotou furiosamente em seu tablet. — E quanto à Dra. Reed? O processo de suspensão... Dominic se levantou, contornou a mesa e parou ao lado da minha cadeira. Ele colocou uma mão possessiva no meu ombro. Era uma mensagem clara para todos na sala: ela é minha. — A Dra. Reed é a vítima aqui. Quero um pedido formal de desculpas do hospital enviado a ela por escrito. E, a propósito... gostaria de informar que a Dra. Reed em breve será a Sra. Thorne. Qualquer desrespeito a ela será considerado um desrespeito a mim. Fui claro? — Cristalino, senhor. Eles saíram da sala tropeçando nos próprios pés. Assim que a porta se fechou, soltei o ar que prendia. — Você resolveu tudo em dois minutos... — Falei desacreditada. — Isso é o que o poder faz, Grace — Dominic disse, retirando a mão do meu ombro. — E agora você tem uma fatia dele. Tenho uma reunião com acionistas em dez minutos. Vou pedir para meu motorista te levar. — Me levar? Para onde? — Para a minha cobertura. Onde você mora agora. — Espere um pouco. Eu não posso simplesmente ir para a sua casa com a roupa do corpo. Eu preciso buscar minhas coisas. Meus livros, minhas roupas, documentos... tudo está no meu antigo apartamento. Dominic franziu a testa, parecendo incomodado com a inconveniência. — Compre tudo novo. Eu te dou um cartão sem limite. — Não é questão de dinheiro, Dominic. São as minhas coisas. Minha vida está naquelas caixas. E... — Cerrei os punhos. — Eu não vou dar para aqueles traidores a satisfação de ficarem com nada que é meu. — Traidores? — Longa história. — Hum, tudo bem. Mas seja rápida. Mandarei o endereço da cobertura para o seu celular. Te vejo à noite no jantar. Esteja em casa às sete, se não quiser ser severamente punida. — Ele sorriu com malícia. — Que consequências? — Engoli em seco.
Atravessar para outro mundo é um pesadelo. Camila se vê no corpo de uma vilã de 150 quilos, odiada por todos os parceiros de nível S, até ser empurrada de um penhasco por uma serpente. Mas tudo muda quando ela desperta um sistema de conquista: quanto maior a afinidade, mais bela ela se torna — e começa a virar o jogo. De -99 até conquistar a todos… até que a serpente volta a encurralá-la.
Eu estava me preparando para emendar mais um turno no hospital quando Brenda, uma colega residente, começou a gritar por mim. — Estou aqui! — Grace? — Ela me encontrou entre os armários e juntou as mãos como pedido. — Sei que você vai dobrar, mas queria te pedir um favor imenso. — Diga, Brenda. — Eu tenho um compromisso inadiável amanhã de manhã, com a escola do meu filho. Você poderia trocar comigo? Você pega meu turno amanhã e eu fico com o seu de hoje. — Tudo bem. — disse eu, com um sorriso cansado. — Eu cubro você amanhã. — Sério? — Os olhos dela se arregalaram. — Sim. Vou aproveitar e fazer uma surpresa para o Derek. — Você é um anjo, Grace! Um anjo! Enquanto ela saía correndo, eu me permiti sorrir. A fadiga desapareceu de imediato. Peguei minha bolsa e saí para o ar fresco da tarde. Em vez de ir para casa dormir, dirigi direto para o mercado gourmet do centro. Eu queria mimá-los. Estávamos todos muito ocupados ultimamente. Eu, com as cirurgias de emergência, Derek, com os contratos da agência, e Jéssica, minha melhor amiga que se mudara para o nosso quarto de hóspedes há seis meses após perder o emprego. Quase não nos víamos, apesar de dividirmos o mesmo teto. Comprei bifes. Peguei duas garrafas de um Cabernet Sauvignon envelhecido que Derek adorava e uma torta de limão que era a favorita de Jéssica. — Vai ser uma noite perfeita — murmurei para mim mesma enquanto o caixa passava os itens. Dirigi até nosso prédio com o rádio ligado, cantando baixinho. Subi animada, pronta para gritar "Surpresa!", mas as palavras morreram na minha garganta antes de nascerem ao ouvir os ruídos abafados e rítmicos. Franzi a testa e deixei as sacolas no chão da entrada, sem fazer barulho. Encontrei roupas e sapatos no caminho do corredor. — Isso... mais forte, Derek, meu Deus... Cheguei na porta da sala de estar, que estava entreaberta. Eu olhei. Derek estava por cima dela. As costas dele, que eu conhecia tão bem, cada sarda, cada músculo, se contraíam com o esforço. Jéssica estava embaixo dele, as pernas envolvendo a cintura do meu namorado, a cabeça jogada para trás, os cabelos loiros espalhados pelo estofado. Eles estavam em um frenesi. Havia uma conexão perversa na forma como as mãos dele seguravam os quadris dela, na forma como ela arranhava as costas dele, que me dizia que aquela não era a primeira vez. Nem a segunda. Como médica, eu estava acostumada a reagir rápido. Mas ver o homem que eu amava penetrando minha melhor amiga foi um golpe que me deixou zonza. Abri a porta em automático e o movimento no sofá parou instantaneamente. Derek virou a cabeça, os olhos arregalados, o rosto vermelho de esforço e prazer transformando-se em choque. Jéssica empurrou o corpo dele e se cobriu com uma almofada, soltando um grito agudo e ridículo. — Grace? — A voz de Derek saiu rouca. — O que você está fazendo aqui? Você não tinha plantão? — O que eu estou fazendo aqui? — Olhei para as sacolas na entrada. — Eu vim fazer uma surpresa. Um jantar. Jéssica começou a chorar. — Grace, amiga, por favor, não é o que você está pensando... — ela balbuciou, tentando puxar o vestido para cobrir o corpo. — Não é o que eu estou pensando? — Eu ri. Devo parecer muito burra pra ela, né? — Vocês estão nus no meu sofá. O membro do meu namorado ainda está... — Apontei, sentindo a bile subir na garganta. — Não insulte a minha inteligência, Jéssica. Eu pago o teto sobre a sua cabeça! Derek finalmente se levantou, vestindo a calça às pressas. Mas em vez de cair de joelhos e pedir perdão, a expressão dele endureceu. — Sabe de uma coisa, Grace? Talvez se você estivesse em casa mais vezes, isso não tivesse acontecido — disparou ele. — O quê? — Recuei um passo, surpresa com o ataque repentino. — Você é fria — continuou ele, ganhando confiança na própria canalhice. — Você vive naquele hospital. Você chega em casa cheirando a morte, cansada demais para me tocar. A Jéssica... ela está sempre aqui. Ela me escuta. Ela me admira. Ela é uma mulher de verdade. — Eu trabalhava para sustentar nós três! — gritei, as lágrimas finalmente transbordando, quentes e dolorosas. — Eu pago a comida que você e essa vadia comem! — E você nunca nos deixa esquecer disso, não é? — Ele zombou. — A grande e bondosa Dra. Reed. Mas adivinha? Não preciso da sua caridade. Olhei para Jéssica, esperando que pelo menos ela dissesse que ele estava louco já que quem a sustentava era eu. Mas ela apenas desviou o olhar, murmurando: — Ele se sentia sozinho, Grace. A gente se apaixonou. Aconteceu. Eu olhei para os dois. Duas pessoas que eu amava tanto. E de repente, pareciam estranhos. — Saiam daqui — sussurrei. — O apartamento está no meu nome também, Grace — Derek disse, com um sorriso cruel. — Na verdade, acho que você deveria sair. Você está histérica. Não dá para conversar com você assim. — Quer saber... Eu estou cansada demais pra discutir. — Saí do apartamento deixando a porta aberta. Cheguei à calçada, o ar frio bateu no meu rosto molhado. Eu não sabia para onde ir. Foi quando meu celular tocou no bolso. Limpei o rosto com as costas da mão, tremendo. Olhei para a tela. "Hospital Geral NY - Administração". Atendi, tentando firmar a voz. — Dra. Reed falando. — Dra. Grace Reed? Aqui é Richard, do departamento jurídico e de ética do hospital. Franzi a testa. Jurídico? — Sim, Richard. Aconteceu alguma coisa? — Dra. Reed, estou ligando para informar que você está suspensa de todas as suas funções médicas, com efeito imediato. Não apareça para o seu próximo turno. — O quê? Do que você está falando? Capítulo 2: Você é uma egoísta e ingrata! GRACE REED — O quê? Do que você está falando? — Minha voz tremeu. — Encontramos frascos de Oxicodona e Fentanil no seu armário pessoal, Dra. Reed. E os registros digitais mostram que eles foram retirados com a sua senha — Richard disse. — Isso é impossível! Eu nunca... Alguém deve ter pegado minha senha, alguém colocou isso lá! — gritei para o telefone, atraindo olhares de pedestres curiosos. — Richard, eu dedico minha vida a esse hospital! — As provas são contundentes, Grace. Há imagens de segurança também. Não tente piorar a situação aparecendo no hospital. O conselho vai se reunir, mas sugiro que procure um advogado criminalista. Até logo. A linha ficou muda. Deixei o celular cair na bolsa, sem acreditar que tudo isso era real. Em menos de duas horas, perdi meu namorado, minha melhor amiga, minha casa e agora minha carreira. Alguém tinha plantado aquilo. Eu precisava de um abraço. Precisava de alguém que me dissesse que tudo ficaria bem. Entrei no meu carro e dirigi até a casa dos meus pais, no subúrbio. Eles sempre foram exigentes, mas eram minha família. Eles me acolheriam. Cheguei lá com o rosto inchado e a maquiagem borrada. Minha mãe abriu a porta e, antes que ela pudesse falar, entrei na sala desabando no sofá. — Mãe... o Derek... ele me traiu com a Jéssica — solucei, as palavras saindo atropeladas. — E o hospital... me suspenderam, mãe. Disseram que roubei remédios. Minha vida acabou. Minha mãe, sentada na poltrona com uma revista na mão, suspirou. — Isso é ruim, Grace, muito chato mesmo — disse ela, como se eu só tivesse quebrado uma unha. — Mas precisamos falar de algo sério agora. Levantei a cabeça, confusa, limpando as lágrimas. — Sério? Mãe, eu acabei de dizer que perdi tudo! O que poderia ser mais sério que isso? — A Ruby foi aceita na agência de modelos, Grace! — Ela sorriu, ignorando meu desespero. — É a grande chance da sua irmã. Mas o curso preparatório e o book custam cinco mil dólares. Você precisa transferir o dinheiro hoje. O prazo acaba amanhã. Fiquei olhando para ela, paralisada. — Você por acaso ouviu alguma coisa do que eu disse? — perguntei, desacreditada. — Eu fui suspensa. Não vou receber salário. Meus advogados vão custar uma fortuna para provar minha inocência. Talvez congelem minhas contas! Eu não tenho cinco mil dólares para dar para a Ruby brincar de modelo! Meu pai entrou na sala nesse momento, segurando uma cerveja. — Como é que é? — Ele franziu a testa e vi seu rosto rapidamente ficando vermelho. — Você vai negar um futuro para a sua irmã? Depois de tudo que fizemos para você virar médica? — Fizemos? — Eu me levantei, sentindo indignação queimar o resto da minha tristeza. — Eu paguei minha faculdade sozinha! Eu trabalho feito uma condenada! Eu preciso desse dinheiro para não ir para a cadeia! — Você é uma egoísta e ingrata! — meu pai explodiu, apontando o dedo na minha cara. — Você sempre teve tudo. Sempre foi a mais inteligente e cheia de oportunidades. Agora a Ruby tem a chance dela e você quer cortar as asas da menina por pura inveja! — O quê?! Eu não tive oportunidades! Eu as criei! Olhei para o canto da sala. Ruby estava encostada na parede, lixando as unhas. Ela me olhou e deu um sorrisinho presunçoso, sabendo que era a favorita. — Grace, transfira o dinheiro agora ou não precisa mais aparecer aqui — meu pai decretou. Senti como se tivesse levado um tapa físico. Para eles, eu não era uma filha. Eu era só um caixa eletrônico. Se não cuspisse dinheiro, não servia para nada. Peguei minha bolsa e saí da casa onde cresci, ouvindo meu pai gritar insultos atrás de mim. Entrei no carro, mas não liguei o motor para partir. Eu não tinha para onde ir. Me hospedar uns dias em um hotel seria caro demais para quem podia precisar de advogados competentes em breve. Bebida. Sim, preciso de algo e desligar meu cérebro. Dirigi até meu bar favorito. — Garrafa? — o barman perguntou. — Copos. Muitos deles. Virei o primeiro. O segundo. O terceiro. O ardor na garganta era bem-vindo e distraía a dor no meu corpo. O mundo começou a ficar ligeiramente nublado, o que era ótimo. — Ei, gatinha... — Uma mão pousou no meu ombro. Um homem com cheiro de cerveja barata e suor se encostou em mim. — Você parece muito sozinha. Que tal irmos para o meu carro? — Sai fora. — Murmurei, tentando empurrá-lo, mas minhas mãos pareciam tão zonzas quanto eu. — Ah, não se faça de difícil... — Ele apertou meu braço. De repente, uma sombra cobriu nós dois. — O senhor não ouviu a dama? Ela disse para sair. A voz era grave, aveludada e demonstrava uma autoridade que fez os pelos da minha nuca se arrepiarem. O bêbado olhou para cima e empalideceu. O homem parado atrás dele usava um terno, feito sob medida, que gritava dinheiro e poder. Mas eram seus olhos escuros que assustavam. E talvez a altura... Uau, ele é grande. O bêbado soltou meu braço e saiu tropeçando. O homem misterioso puxou o banco ao meu lado e se sentou. Ele fez um sinal para o barman, que imediatamente lhe serviu um uísque sem que ele precisasse pedir. Ele se virou para mim e agora tive chance de notar que ele é devastadoramente bonito, com traços fortes e uma mandíbula marcada, seus cabelos eram castanhos escuros... ou claros, não sei, essa iluminação me deixa confusa. Me senti atraída como uma mariposa para a chama. Ele me analisou, seus olhos varreram meu rosto e meu estado que devia ser deplorável. — Você parece alguém que quer esquecer de tudo esta noite — o estranho bonito comentou. Eu olhei para o fundo do copo vazio, depois para os olhos escuros dele. Eu não tinha mais nada a perder. Minha vida "perfeita" era uma mentira. Eu estava cansada de ser a boa moça, a boa filha e a boa namorada. Levantei o olhar para ele, um sorriso imprudente e ferido curvou meus lábios. — Mas você pode me ajudar a lembrar de alguma coisa... Capítulo 3: O novo diretor GRACE REED — O que me diz? — Estiquei a mão e deslizei no corpo dele. — Você tem certeza disso? — Ele segurou meu queixo, obrigando-me a encará-lo. — Eu não costumo me aproveitar de mulheres embriagadas e tristes em bares. — Eu só tomei três doses — respondi, e era verdade. Posso ter tomado rápido demais, mas meu juízo estava em ordem. — Estou perfeitamente consciente. — Só três... — Ele me olhou fundo nos olhos, como se pudesse avaliar minha sobriedade assim. — Eu não sei quem você é — continuei, passando a ponta dos dedos pela lapela do terno dele. — Mas você está me olhando como se me quisesse. E, agora, isso é tudo o que eu preciso. Ele não disse mais nada. Pagou a conta para nós e me guiou para fora do bar com uma mão firme nas minhas costas que me fez estremecer. Caminhamos apenas uma quadra até um hotel de luxo. Ele nem precisou fazer check-in, apenas cumprimentou o porteiro e fomos direto para o elevador privativo da cobertura. Assim que a porta do quarto se fechou, ele me prensou contra a madeira. A boca dele tomou a minha com uma fome e urgência que me deixaram tonta. Derek nunca me beijou assim. Derek era carinhoso e previsível. Com Derek, eu sabia onde as mãos dele iriam, sabia o ritmo, sabia o final. Não era ruim, só era confortável. As mãos dele percorreram meu corpo como se ele já conhecesse cada curva. Quando ele tirou minha blusa, eu não senti medo. Senti liberdade. Ele me levou para a cama, e a maneira como se moveu sobre mim me fez sentir pequena e protegida ao mesmo tempo. Aquele homem estava me devorando. O toque dele era diferente de tudo o que eu já tinha sentido. Onde Derek era hesitante, esse estranho era decidido. Ele sabia exatamente onde tocar para fazer meu corpo arquear, sabia a pressão exata, o ritmo exato. Cada movimento dele me fez sentir um prazer inimaginável. Eu me peguei gritando e emitindo sons que eu nem sabia que podia fazer, sons que eu nunca tinha soltado antes. — É isso que você queria lembrar? — ele sussurrou contra o meu pescoço, mordendo a pele sensível ali e soprando em seguida. — Eu vou fazer você esquecer tudo, exceto de mim. A habilidade dele era devastadora. Ele me levou à beira do abismo e me segurou lá, prolongando o prazer até que se tornasse quase insuportável. Com esse homem, eu não precisava fazer nada além de sentir. Ele estava totalmente no comando. Quando o clímax finalmente veio, foi violento e perfeito. Meu corpo inteiro convulsionou de uma forma que nunca tinha acontecido antes. Eu me desfiz nos braços dele. Tudo que eu tive antes era morno. O que eu acabei de experimentar com esse estranho foi fervente. Era pura ebulição. [...] A luz do sol invadiu o quarto sem piedade, atingindo meu rosto para avisar que o dia tinha amanhecido. Abri os olhos e gemi. Virei-me na cama, esperando ver o homem misterioso, mas o lado dele estava vazio. Os lençóis ainda estavam amassados e com o cheiro dele. Meu Deus... o que eu fiz? Dormi com um desconhecido. Eu, Grace Reed, a aluna modelo e médica séria, tive um caso de uma noite? Céus, eu não perguntei nem o nome dele. Levei a mão ao rosto envergonhada de mim mesma, quando vi um papel em cima do criado-mudo, ao lado de um copo d'água e dois comprimidos de aspirina. "Fui buscar café e algo decente para comermos. Não vá embora. Volto em vinte minutos." A letra era forte e inclinada. Isso quer dizer que ele vai voltar? Café da manhã? Conversar à luz do dia? Não, eu não podia encarar isso. A magia da noite tinha evaporado, deixando apenas a realidade suja da minha vida. Engoli as aspirinas a seco, vesti minhas roupas de ontem e peguei minha bolsa. Fugi do quarto como uma ladra, rezando para não cruzar com ele no caminho. Peguei um táxi já que abandonei meu carro no bar e voltei para o meu apartamento. Ou melhor, o apartamento de Derek e Jéssica agora. No caminho meu celular apitou. Um e-mail urgente. "Prezada Dra. Reed, o novo Diretor do Hospital solicita sua presença imediata em seu escritório às 10:00h para deliberar sobre a revogação permanente da sua licença médica diante das acusações." Novo diretor? O antigo, Dr. Wilson, tinha se aposentado semana passada, mas eu não sabia que o substituto já tinha assumido. E ele já queria minha cabeça. Olhei para o relógio. 08:30h. Cheguei ao prédio e entrei prendendo a respiração. Silêncio. Graças a Deus, eles não estavam. Corri para o quarto e tomei um banho rápido. Vesti um terninho, o mais profissional que encontrei, e prendi o cabelo num coque apertado. Peguei um táxi até o bar e depois de recuperar meu carro, dirigi direto para o hospital. Eu não podia perder minha licença. Era a única coisa que me restava. Eu farei qualquer coisa, iria implorar, ia explicar e ia pedir uma investigação. Cheguei ao andar da diretoria. As enfermeiras no corredor pararam o que estavam fazendo para me olhar. Vi os cochichos, os olhares de pena e de julgamento. — A "viciada" teve coragem de vir... — ouvi um sussurro. Ergui o queixo, ignorando todos, e caminhei até a porta da sala do diretor. Bati duas vezes e entrei de cabeça baixa. — Bom dia — minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria. — Sou a Dra. Reed. O senhor queria me ver? Com certeza é um senhor idoso, severo e careca. Alguém conservador que me daria um sermão sobre ética e não me ouviria, mas não vou desistir. — Sente-se, Dra. Reed. A voz. Eu conhecia aquela voz. Tinha ouvido sussurros roucos e dominantes daquela mesma voz no meu ouvido há menos de seis horas, me dizendo para abrir as pernas e muitas outras coisas. Meus olhos se arregalaram e ergui a cabeça rapidamente. Lá estava ele. O terno perfeito, o cabelo escuro bem penteado e aqueles olhos profundos e hipnotizantes que me analisaram no bar. Era realmente o homem com quem eu tinha dormido e de quem tinha fugido esta manhã. Ele entrelaçou os dedos sobre a mesa e arqueou uma sobrancelha. — Sente-se. Nós teremos muito o que conversar, Grace. Capítulo 4: Nada nessa vida é de graça, Grace GRACE REED Me aproximei da cadeira e meus joelhos cederam. O homem à minha frente era o mesmo homem que horas atrás estava nu, suado e gemendo comigo em um hotel cinco estrelas e também era meu novo chefe. — É um prazer te receber. Sou Dominic Thorne. O novo Diretor Geral e chefe do conselho administrativo do hospital geral de Nova York. Diretor geral, Dominic Thorne. Eu tinha dormido com o diretor e agora, ele tinha minha vida nas mãos. Tentei formular um cumprimento qualquer, mas nada saiu além de um suspiro. Ele pegou uma pasta bege da mesa. — Dra. Grace Reed — ele pronunciou o rótulo, embora seus olhos não deixassem os meus. — Excelente médica. Notas perfeitas na faculdade. Recomendações estelares de todos os supervisores. Um histórico completamente limpo... até ontem à noite. Ele abriu a pasta e folheou os papéis enquanto minha ansiedade atingia picos nunca antes alcançados. — Sr. Thorne... Diretor... — Minha voz falhou miseravelmente e respirei fundo tentando focar no que era importante. — Eu não sei o que dizer. Sobre... sobre tudo isso. — Vamos nos ater aos fatos por um momento, Dra. Reed. Ele puxou uma folha de papel e a deslizou pela mesa em minha direção. Era o relatório de segurança. — A acusação é grave. Roubo de substâncias controladas. Fentanil e Oxicodona. Medicamentos que valem muito dinheiro no mercado clandestino e que destroem carreiras em segundos. O relatório diz que sua senha foi usada no dispensário às 19:45h. Ele entrelaçou os dedos na frente do rosto, observando-me como um falcão observa um rato de campo. — No entanto, eu sou um homem de detalhes, Grace. E há algo nesse relatório que me incomoda profundamente. Ele girou o computador para que eu pudesse ver a tela. Era um gráfico de turnos e registros de acesso. — Às 19:45h, você deveria estar mesmo no seu plantão e não mostra uma troca com outro funcionário. Mas sabemos que você não estava aqui ontem. — Não que seja possível usá-lo como testemunha de que estávamos juntos, aposto que ele não ia querer essa fofoca. Era mais provável me mandar pro olho da rua. — A menos que você tenha a habilidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo, é fisicamente impossível que você tenha digitado essa senha. — Exatamente! — exclamei, sentindo as lágrimas de frustração queimarem meus olhos. — Brenda... Brenda sabia minha senha. Ela me pediu para trocar o turno... com certeza ela armou tudo isso. Dominic assentiu lentamente. — Eu sei que foi uma armação. O sistema de câmeras do corredor do dispensário tem um ponto cego, convenientemente explorado, mas a câmera do elevador mostra a Dra. Brenda saindo com uma bolsa volumosa às 20:00h. Eu quase sorri de alívio. — Então eu posso voltar ao trabalho? O senhor vai limpar meu nome? Dominic fechou a pasta e se levantou. — Não é tão simples assim. Ele contornou a mesa. A cada passo que ele dava em minha direção, a memória do corpo dele sobre o meu invadia minha mente sem permissão. — O conselho não está interessado na verdade, Grace. Eles estão interessados em conter danos. — Ele parou na minha frente, apoiando o quadril na beirada da mesa. — O desaparecimento dos medicamentos já vazou para a imprensa. Eles querem uma cabeça numa bandeja. E a sua já está servida. — Mas eu sou inocente! — protestei, levantando-me num impulso de desespero, o que foi um erro. Agora estávamos a centímetros de distância. O cheiro dele me atingiu e minha respiração engatou. — Sim, nisso você é... — Ele disse suavemente, olhando para a minha boca e minhas bochechas esquentaram violentamente. Um canto da boca dele se curvou num sorriso mínimo. — Você está vermelha, Dra. Reed. Está com calor? O ar condicionado está no máximo. — Eu... eu estou sob muita pressão — gaguejei, recuando um passo e Dominic deu mais um passo à frente, eliminando a distância que eu tentei criar. Ele inclinou a cabeça, deixando sua boca perigosamente perto da minha orelha. — Engraçado... ontem à noite, você parecia lidar muito bem com a pressão. — Por favor, Sr. Thorne... isso é assédio — sussurrei, sem convicção alguma. — Isso é a realidade, Grace — ele recuou, voltando a ser profissional. — A realidade é que nós compartilhamos uma noite. E a outra realidade é que sua carreira acabou. Sentei-me novamente, derrotada. — Então é isso? — perguntei, sentindo a exaustão esmagar meus ombros. — Eu perdi tudo? — Existe uma saída — ele disse e levantei a cabeça rapidamente. — Qual? Eu faço qualquer coisa. — Eu posso fazer esse processo desaparecer. Não em meses, mas hoje. Tenho autoridade para demitir a Dra. Brenda por má conduta e expor a verdade de uma forma que transforme você em uma vítima, não em uma viciada suspeita. Posso restaurar sua reputação, seu salário e seu futuro. — Por quê? — perguntei, desconfiada. — Por que você faria isso por alguém que acabou de conhecer? Só porque dormimos juntos? Ele riu. — Eu admito que não consigo resistir ao seu corpo. Mas a verdade é que você tem algo que eu quero. Minha cabeça doía, tentando acompanhar o raciocínio dele. — Eu não estou entendendo. — Nada nessa vida é de graça, Grace. Eu posso salvar a sua carreira, devolver sua vida e te dar proteção contra qualquer um que tente te derrubar. Tanto nesse hospital quanto fora dele. Mas para isso, você também tem que me dar uma coisa. — O quê? — perguntei, embora temesse a resposta. Dominic Thorne sorriu genuína e alcançou seus olhos, tornando-o mais bonito e aterrorizante. — Em troca, Dra. Reed... Eu quero a sua mão em casamento. Capítulo 5: Casar com um homem que conheci ontem? DOMINIC THORNE Confesso que quando vi Grace cruzar a porta me surpreendi, mas isso só me dava mais uma razão para fazer a ela a proposta. Observei o choque paralisar o rosto dela. Grace me olhava como se eu tivesse acabado de anunciar que era um alienígena, e não que queria me casar com ela. Para ela, aquilo podia parecer loucura. Para mim, era apenas a jogada mais eficiente que fiz nos últimos anos. Se ela é tão esperta quanto acho que é, ela vai aceitar. O que teria a perder se casando comigo? Aos trinta e dois anos, estou no auge da minha forma física. Eu uso minha aparência como uma arma, tanto nos negócios quanto com as mulheres. E na noite passada eu vi, que Grace não era imune. Ela seria perfeita para resolver meu maior problema no momento: minha avó, Eleanor Thorne. A matriarca da família estava segurando a segunda metade da minha herança bilionária e o controle total do conglomerado médico. A condição dela era arcaica: para assumir o poder completamente, eu precisava deixar de ser o "playboy irresponsável" e me tornar um "homem de família". Ela ameaçou passar o controle para meu primo, um tolo que não sabe diferenciar um bisturi de uma faca de manteiga, só porque ele é casado e tem dois filhos. Eu precisava de uma esposa. E rápido. Meus olhos voltaram para Grace Reed. Analisei-a com cuidado. Ela era bonita, mas de uma forma elegante, não vulgar. Era médica, o que agradaria imensamente a velha Eleanor, que valorizava o intelecto e o status. E o mais importante: ela estava desesperada. Grace estava encurralada. Sem emprego, sem apoio, com a reputação na lama. Pessoas desesperadas são leais a quem as salva. Além disso, havia o fator bônus. A química entre nós era muito boa. Se eu vou ser forçado a um casamento de fachada por um ano, que seja com alguém que eu tenha prazer em levar para a cama. Isso evitaria que eu procurasse diversão fora de casa e gerasse escândalos. Ela era perfeita. Minha candidata ideal caiu de bandeja diante de mim. — Você está falando sério? — A voz dela quebrou meu raciocínio. — Nunca falei tão sério, Grace. — Inclinei-me para frente. — Vamos colocar as cartas na mesa. Eu tenho um problema com minha herança e isso exige que eu me case. Você também tem um problema já que sua vida virou um inferno e você está prestes a perder sua licença médica. — Sua herança é a razão então? — Acho que terei que ser mais óbvio. — Eu não estou procurando amor, Grace — continuei, sendo brutalmente honesto. — Estou procurando uma parceira de negócios. O contrato é simples e durará um ano. Durante doze meses, você será a Sra. Thorne. Você vai sorrir em jantares beneficentes, vai segurar meu braço em eventos e vai me ajudar a convencer minha avó de que estamos apaixonados. — Você faz parecer tão fácil... — ela sussurrou. — É fácil. Se assinar, eu demito a Brenda e exponho a armação dela hoje mesmo. Sua licença continua intacta. Garanto que só terá ganhos. Vi a dúvida e o medo nos olhos dela. GRACE REED Casamento? Com um homem que conheci ontem? Isso era loucura. Era imoral. Era a proposta mais absurda que já ouvi. — Eu não posso... — comecei a dizer, pronta para me levantar e sair correndo. — Isso é ridículo. Não vou me vender por um emprego, Sr. Thorne. Eu posso provar minha inocência sozinha. Assim que terminei a frase, meu celular vibrou violentamente na bolsa. Ergui-o e olhei para a tela. Duas novas mensagens. A primeira era de Derek: "Jéssica não se sente confortável com suas coisas aqui. Busque até as 17h ou mandarei o porteiro jogar fora. E devolva a chave." Esses lixos, nojentos, traidores! Dá pra acreditar? A segunda mensagem era da minha mãe: "Consegui adiar o prazo da agência até o meio-dia. Grace, não seja egoísta. A Ruby está chorando no quarto. Se você não transferir esse dinheiro agora, esqueça que tem mãe." Guardei o celular e olhei ao redor daquele escritório luxuoso. Lá fora, eu não tinha casa. Não tinha família. Não tinha dinheiro para manter advogados em um processo longo. Eu seria presa ou viveria com uma mancha eterna no currículo, trabalhando em subempregos para sobreviver, enquanto Derek e Jéssica riam no meu sofá e minha família me odiava. Aqui dentro, diante desse homem lindo e poderoso, eu tinha uma chance. Ele não disse nada. Apenas abriu uma gaveta da mesa e de lá, ele tirou uma pequena caixa de veludo. — Eu mandei fazer isso semana passada — ele comentou casualmente. — Eu estava procurando a candidata ideal e decidi que essa mulher é você. Ele abriu a caixa. Um diamante solitário, enorme e límpido, brilhou sob as luzes do escritório. Era o anel mais bonito e ostensivo que eu já tinha visto. Dominic parou na minha frente novamente. A imponência do corpo dele bloqueava a luz da janela, envolvendo-me em sua sombra. Ele estendeu a caixa aberta na minha direção. — Diga sim, Dra. Reed, e seus problemas acabam agora. Você sai daqui como minha noiva, com sua carreira salva e o mundo aos seus pés. — Ele fez uma pausa enquanto seus olhos escuros perfuravam os meus. — Diga não, e você sai por aquela porta sem emprego, sem casa e com um processo criminal nas costas. O que vai ser? Capítulo 6: O Contrato de Diamante GRACE REED Olhei para o anel dentro da caixa de veludo. Aquele diamante valia mais do que todos os anos de salário que eu perderia se fosse demitida. Pensei em Derek e no sorriso cruel dele enquanto me expulsava do apartamento que eu pagava metade. Pensei em Brenda, minha "amiga", colocando medicamentos no meu armário para salvar a própria pele ou apenas por pura maldade. Pensei na minha família, que só me via como um talão de cheques ambulante. O mundo tinha sido cruel com a minha bondade. Talvez fosse hora de parar de ser boa e aceitar ser a intocável "Sra. Thorne". Ergui o olhar para Dominic que não parecia ansioso, ele estava certo da vitória e eu não iria contra suas expectativas. — Sim. Eu aceito. Dominic não sorriu abertamente, mas houve um brilho de triunfo naqueles olhos escuros. Sem dizer uma palavra, ele tirou o anel da caixa. Estendi minha mão esquerda e ele segurou meus dedos com firmeza, deslizando o anel. Passou pela articulação sem nenhum esforço e pousou na base do meu dedo como se tivesse sido moldado especificamente para a minha anatomia. — Perfeito. — Ele murmurou, ainda segurando minha mão, observando a joia. — Agora, devo cumprir minha parte do acordo. Ele soltou minha mão e pressionou um botão no interfone da mesa. — Sra. Potts, mande o chefe de segurança e a Diretora de RH virem para a minha sala. — Imediatamente, Sr. Thorne. A porta se abriu segundos depois. Um homem corpulento de uniforme e uma mulher de meia-idade com cara de poucos amigos entraram. — Sr. Thorne? — a mulher do RH perguntou. — Sente-se, Vivian. Você também, Jorge. Dominic nem se levantou, apenas girou o monitor do computador novamente. — Jorge, eu revisei as filmagens de segurança do corredor do dispensário. Vocês alegaram um ponto cego, correto? — Sim, senhor. A câmera 4 estava inoperante — o segurança respondeu. — Curioso. Porque eu acessei o servidor de backup da nuvem e a câmera 4 gravou perfeitamente. Parece que alguém tentou deletar o arquivo local, mas esqueceu que nosso sistema é espelhado. Dominic clicou em um arquivo. Na tela, com uma clareza em alta definição, apareceu Brenda. Ela olhava para os lados, digitava algo no teclado — minha senha, que ela devia ter decorado ao me ver digitar mil vezes — e enchia o armário com frascos. Senti um alívio tão grande que minhas pernas amoleceram. — Vivian. Quero a Dra. Brenda demitida por justa causa imediatamente. Notifique o conselho de medicina e a polícia. Entregue essas imagens como prova. — Sim, Sr. Thorne! Imediatamente! — A mulher anotou furiosamente em seu tablet. — E quanto à Dra. Reed? O processo de suspensão... Dominic se levantou, contornou a mesa e parou ao lado da minha cadeira. Ele colocou uma mão possessiva no meu ombro. Era uma mensagem clara para todos na sala: ela é minha. — A Dra. Reed é a vítima aqui. Quero um pedido formal de desculpas do hospital enviado a ela por escrito. E, a propósito... gostaria de informar que a Dra. Reed em breve será a Sra. Thorne. Qualquer desrespeito a ela será considerado um desrespeito a mim. Fui claro? — Cristalino, senhor. Eles saíram da sala tropeçando nos próprios pés. Assim que a porta se fechou, soltei o ar que prendia. — Você resolveu tudo em dois minutos... — Falei desacreditada. — Isso é o que o poder faz, Grace — Dominic disse, retirando a mão do meu ombro. — E agora você tem uma fatia dele. Tenho uma reunião com acionistas em dez minutos. Vou pedir para meu motorista te levar. — Me levar? Para onde? — Para a minha cobertura. Onde você mora agora. — Espere um pouco. Eu não posso simplesmente ir para a sua casa com a roupa do corpo. Eu preciso buscar minhas coisas. Meus livros, minhas roupas, documentos... tudo está no meu antigo apartamento. Dominic franziu a testa, parecendo incomodado com a inconveniência. — Compre tudo novo. Eu te dou um cartão sem limite. — Não é questão de dinheiro, Dominic. São as minhas coisas. Minha vida está naquelas caixas. E... — Cerrei os punhos. — Eu não vou dar para aqueles traidores a satisfação de ficarem com nada que é meu. — Traidores? — Longa história. — Hum, tudo bem. Mas seja rápida. Mandarei o endereço da cobertura para o seu celular. Te vejo à noite no jantar. Esteja em casa às sete, se não quiser ser severamente punida. — Ele sorriu com malícia. — Que consequências? — Engoli em seco.
Unlimited VPN master to unblock sites, WiFi hotspot security, protect privacy / VPN ilimitado para desbloquear sites, proteger Wi-Fi e garantir privacidade
Eu estava me preparando para emendar mais um turno no hospital quando Brenda, uma colega residente, começou a gritar por mim. — Estou aqui! — Grace? — Ela me encontrou entre os armários e juntou as mãos como pedido. — Sei que você vai dobrar, mas queria te pedir um favor imenso. — Diga, Brenda. — Eu tenho um compromisso inadiável amanhã de manhã, com a escola do meu filho. Você poderia trocar comigo? Você pega meu turno amanhã e eu fico com o seu de hoje. — Tudo bem. — disse eu, com um sorriso cansado. — Eu cubro você amanhã. — Sério? — Os olhos dela se arregalaram. — Sim. Vou aproveitar e fazer uma surpresa para o Derek. — Você é um anjo, Grace! Um anjo! Enquanto ela saía correndo, eu me permiti sorrir. A fadiga desapareceu de imediato. Peguei minha bolsa e saí para o ar fresco da tarde. Em vez de ir para casa dormir, dirigi direto para o mercado gourmet do centro. Eu queria mimá-los. Estávamos todos muito ocupados ultimamente. Eu, com as cirurgias de emergência, Derek, com os contratos da agência, e Jéssica, minha melhor amiga que se mudara para o nosso quarto de hóspedes há seis meses após perder o emprego. Quase não nos víamos, apesar de dividirmos o mesmo teto. Comprei bifes. Peguei duas garrafas de um Cabernet Sauvignon envelhecido que Derek adorava e uma torta de limão que era a favorita de Jéssica. — Vai ser uma noite perfeita — murmurei para mim mesma enquanto o caixa passava os itens. Dirigi até nosso prédio com o rádio ligado, cantando baixinho. Subi animada, pronta para gritar "Surpresa!", mas as palavras morreram na minha garganta antes de nascerem ao ouvir os ruídos abafados e rítmicos. Franzi a testa e deixei as sacolas no chão da entrada, sem fazer barulho. Encontrei roupas e sapatos no caminho do corredor. — Isso... mais forte, Derek, meu Deus... Cheguei na porta da sala de estar, que estava entreaberta. Eu olhei. Derek estava por cima dela. As costas dele, que eu conhecia tão bem, cada sarda, cada músculo, se contraíam com o esforço. Jéssica estava embaixo dele, as pernas envolvendo a cintura do meu namorado, a cabeça jogada para trás, os cabelos loiros espalhados pelo estofado. Eles estavam em um frenesi. Havia uma conexão perversa na forma como as mãos dele seguravam os quadris dela, na forma como ela arranhava as costas dele, que me dizia que aquela não era a primeira vez. Nem a segunda. Como médica, eu estava acostumada a reagir rápido. Mas ver o homem que eu amava penetrando minha melhor amiga foi um golpe que me deixou zonza. Abri a porta em automático e o movimento no sofá parou instantaneamente. Derek virou a cabeça, os olhos arregalados, o rosto vermelho de esforço e prazer transformando-se em choque. Jéssica empurrou o corpo dele e se cobriu com uma almofada, soltando um grito agudo e ridículo. — Grace? — A voz de Derek saiu rouca. — O que você está fazendo aqui? Você não tinha plantão? — O que eu estou fazendo aqui? — Olhei para as sacolas na entrada. — Eu vim fazer uma surpresa. Um jantar. Jéssica começou a chorar. — Grace, amiga, por favor, não é o que você está pensando... — ela balbuciou, tentando puxar o vestido para cobrir o corpo. — Não é o que eu estou pensando? — Eu ri. Devo parecer muito burra pra ela, né? — Vocês estão nus no meu sofá. O membro do meu namorado ainda está... — Apontei, sentindo a bile subir na garganta. — Não insulte a minha inteligência, Jéssica. Eu pago o teto sobre a sua cabeça! Derek finalmente se levantou, vestindo a calça às pressas. Mas em vez de cair de joelhos e pedir perdão, a expressão dele endureceu. — Sabe de uma coisa, Grace? Talvez se você estivesse em casa mais vezes, isso não tivesse acontecido — disparou ele. — O quê? — Recuei um passo, surpresa com o ataque repentino. — Você é fria — continuou ele, ganhando confiança na própria canalhice. — Você vive naquele hospital. Você chega em casa cheirando a morte, cansada demais para me tocar. A Jéssica... ela está sempre aqui. Ela me escuta. Ela me admira. Ela é uma mulher de verdade. — Eu trabalhava para sustentar nós três! — gritei, as lágrimas finalmente transbordando, quentes e dolorosas. — Eu pago a comida que você e essa vadia comem! — E você nunca nos deixa esquecer disso, não é? — Ele zombou. — A grande e bondosa Dra. Reed. Mas adivinha? Não preciso da sua caridade. Olhei para Jéssica, esperando que pelo menos ela dissesse que ele estava louco já que quem a sustentava era eu. Mas ela apenas desviou o olhar, murmurando: — Ele se sentia sozinho, Grace. A gente se apaixonou. Aconteceu. Eu olhei para os dois. Duas pessoas que eu amava tanto. E de repente, pareciam estranhos. — Saiam daqui — sussurrei. — O apartamento está no meu nome também, Grace — Derek disse, com um sorriso cruel. — Na verdade, acho que você deveria sair. Você está histérica. Não dá para conversar com você assim. — Quer saber... Eu estou cansada demais pra discutir. — Saí do apartamento deixando a porta aberta. Cheguei à calçada, o ar frio bateu no meu rosto molhado. Eu não sabia para onde ir. Foi quando meu celular tocou no bolso. Limpei o rosto com as costas da mão, tremendo. Olhei para a tela. "Hospital Geral NY - Administração". Atendi, tentando firmar a voz. — Dra. Reed falando. — Dra. Grace Reed? Aqui é Richard, do departamento jurídico e de ética do hospital. Franzi a testa. Jurídico? — Sim, Richard. Aconteceu alguma coisa? — Dra. Reed, estou ligando para informar que você está suspensa de todas as suas funções médicas, com efeito imediato. Não apareça para o seu próximo turno. — O quê? Do que você está falando? Capítulo 2: Você é uma egoísta e ingrata! GRACE REED — O quê? Do que você está falando? — Minha voz tremeu. — Encontramos frascos de Oxicodona e Fentanil no seu armário pessoal, Dra. Reed. E os registros digitais mostram que eles foram retirados com a sua senha — Richard disse. — Isso é impossível! Eu nunca... Alguém deve ter pegado minha senha, alguém colocou isso lá! — gritei para o telefone, atraindo olhares de pedestres curiosos. — Richard, eu dedico minha vida a esse hospital! — As provas são contundentes, Grace. Há imagens de segurança também. Não tente piorar a situação aparecendo no hospital. O conselho vai se reunir, mas sugiro que procure um advogado criminalista. Até logo. A linha ficou muda. Deixei o celular cair na bolsa, sem acreditar que tudo isso era real. Em menos de duas horas, perdi meu namorado, minha melhor amiga, minha casa e agora minha carreira. Alguém tinha plantado aquilo. Eu precisava de um abraço. Precisava de alguém que me dissesse que tudo ficaria bem. Entrei no meu carro e dirigi até a casa dos meus pais, no subúrbio. Eles sempre foram exigentes, mas eram minha família. Eles me acolheriam. Cheguei lá com o rosto inchado e a maquiagem borrada. Minha mãe abriu a porta e, antes que ela pudesse falar, entrei na sala desabando no sofá. — Mãe... o Derek... ele me traiu com a Jéssica — solucei, as palavras saindo atropeladas. — E o hospital... me suspenderam, mãe. Disseram que roubei remédios. Minha vida acabou. Minha mãe, sentada na poltrona com uma revista na mão, suspirou. — Isso é ruim, Grace, muito chato mesmo — disse ela, como se eu só tivesse quebrado uma unha. — Mas precisamos falar de algo sério agora. Levantei a cabeça, confusa, limpando as lágrimas. — Sério? Mãe, eu acabei de dizer que perdi tudo! O que poderia ser mais sério que isso? — A Ruby foi aceita na agência de modelos, Grace! — Ela sorriu, ignorando meu desespero. — É a grande chance da sua irmã. Mas o curso preparatório e o book custam cinco mil dólares. Você precisa transferir o dinheiro hoje. O prazo acaba amanhã. Fiquei olhando para ela, paralisada. — Você por acaso ouviu alguma coisa do que eu disse? — perguntei, desacreditada. — Eu fui suspensa. Não vou receber salário. Meus advogados vão custar uma fortuna para provar minha inocência. Talvez congelem minhas contas! Eu não tenho cinco mil dólares para dar para a Ruby brincar de modelo! Meu pai entrou na sala nesse momento, segurando uma cerveja. — Como é que é? — Ele franziu a testa e vi seu rosto rapidamente ficando vermelho. — Você vai negar um futuro para a sua irmã? Depois de tudo que fizemos para você virar médica? — Fizemos? — Eu me levantei, sentindo indignação queimar o resto da minha tristeza. — Eu paguei minha faculdade sozinha! Eu trabalho feito uma condenada! Eu preciso desse dinheiro para não ir para a cadeia! — Você é uma egoísta e ingrata! — meu pai explodiu, apontando o dedo na minha cara. — Você sempre teve tudo. Sempre foi a mais inteligente e cheia de oportunidades. Agora a Ruby tem a chance dela e você quer cortar as asas da menina por pura inveja! — O quê?! Eu não tive oportunidades! Eu as criei! Olhei para o canto da sala. Ruby estava encostada na parede, lixando as unhas. Ela me olhou e deu um sorrisinho presunçoso, sabendo que era a favorita. — Grace, transfira o dinheiro agora ou não precisa mais aparecer aqui — meu pai decretou. Senti como se tivesse levado um tapa físico. Para eles, eu não era uma filha. Eu era só um caixa eletrônico. Se não cuspisse dinheiro, não servia para nada. Peguei minha bolsa e saí da casa onde cresci, ouvindo meu pai gritar insultos atrás de mim. Entrei no carro, mas não liguei o motor para partir. Eu não tinha para onde ir. Me hospedar uns dias em um hotel seria caro demais para quem podia precisar de advogados competentes em breve. Bebida. Sim, preciso de algo e desligar meu cérebro. Dirigi até meu bar favorito. — Garrafa? — o barman perguntou. — Copos. Muitos deles. Virei o primeiro. O segundo. O terceiro. O ardor na garganta era bem-vindo e distraía a dor no meu corpo. O mundo começou a ficar ligeiramente nublado, o que era ótimo. — Ei, gatinha... — Uma mão pousou no meu ombro. Um homem com cheiro de cerveja barata e suor se encostou em mim. — Você parece muito sozinha. Que tal irmos para o meu carro? — Sai fora. — Murmurei, tentando empurrá-lo, mas minhas mãos pareciam tão zonzas quanto eu. — Ah, não se faça de difícil... — Ele apertou meu braço. De repente, uma sombra cobriu nós dois. — O senhor não ouviu a dama? Ela disse para sair. A voz era grave, aveludada e demonstrava uma autoridade que fez os pelos da minha nuca se arrepiarem. O bêbado olhou para cima e empalideceu. O homem parado atrás dele usava um terno, feito sob medida, que gritava dinheiro e poder. Mas eram seus olhos escuros que assustavam. E talvez a altura... Uau, ele é grande. O bêbado soltou meu braço e saiu tropeçando. O homem misterioso puxou o banco ao meu lado e se sentou. Ele fez um sinal para o barman, que imediatamente lhe serviu um uísque sem que ele precisasse pedir. Ele se virou para mim e agora tive chance de notar que ele é devastadoramente bonito, com traços fortes e uma mandíbula marcada, seus cabelos eram castanhos escuros... ou claros, não sei, essa iluminação me deixa confusa. Me senti atraída como uma mariposa para a chama. Ele me analisou, seus olhos varreram meu rosto e meu estado que devia ser deplorável. — Você parece alguém que quer esquecer de tudo esta noite — o estranho bonito comentou. Eu olhei para o fundo do copo vazio, depois para os olhos escuros dele. Eu não tinha mais nada a perder. Minha vida "perfeita" era uma mentira. Eu estava cansada de ser a boa moça, a boa filha e a boa namorada. Levantei o olhar para ele, um sorriso imprudente e ferido curvou meus lábios. — Mas você pode me ajudar a lembrar de alguma coisa... Capítulo 3: O novo diretor GRACE REED — O que me diz? — Estiquei a mão e deslizei no corpo dele. — Você tem certeza disso? — Ele segurou meu queixo, obrigando-me a encará-lo. — Eu não costumo me aproveitar de mulheres embriagadas e tristes em bares. — Eu só tomei três doses — respondi, e era verdade. Posso ter tomado rápido demais, mas meu juízo estava em ordem. — Estou perfeitamente consciente. — Só três... — Ele me olhou fundo nos olhos, como se pudesse avaliar minha sobriedade assim. — Eu não sei quem você é — continuei, passando a ponta dos dedos pela lapela do terno dele. — Mas você está me olhando como se me quisesse. E, agora, isso é tudo o que eu preciso. Ele não disse mais nada. Pagou a conta para nós e me guiou para fora do bar com uma mão firme nas minhas costas que me fez estremecer. Caminhamos apenas uma quadra até um hotel de luxo. Ele nem precisou fazer check-in, apenas cumprimentou o porteiro e fomos direto para o elevador privativo da cobertura. Assim que a porta do quarto se fechou, ele me prensou contra a madeira. A boca dele tomou a minha com uma fome e urgência que me deixaram tonta. Derek nunca me beijou assim. Derek era carinhoso e previsível. Com Derek, eu sabia onde as mãos dele iriam, sabia o ritmo, sabia o final. Não era ruim, só era confortável. As mãos dele percorreram meu corpo como se ele já conhecesse cada curva. Quando ele tirou minha blusa, eu não senti medo. Senti liberdade. Ele me levou para a cama, e a maneira como se moveu sobre mim me fez sentir pequena e protegida ao mesmo tempo. Aquele homem estava me devorando. O toque dele era diferente de tudo o que eu já tinha sentido. Onde Derek era hesitante, esse estranho era decidido. Ele sabia exatamente onde tocar para fazer meu corpo arquear, sabia a pressão exata, o ritmo exato. Cada movimento dele me fez sentir um prazer inimaginável. Eu me peguei gritando e emitindo sons que eu nem sabia que podia fazer, sons que eu nunca tinha soltado antes. — É isso que você queria lembrar? — ele sussurrou contra o meu pescoço, mordendo a pele sensível ali e soprando em seguida. — Eu vou fazer você esquecer tudo, exceto de mim. A habilidade dele era devastadora. Ele me levou à beira do abismo e me segurou lá, prolongando o prazer até que se tornasse quase insuportável. Com esse homem, eu não precisava fazer nada além de sentir. Ele estava totalmente no comando. Quando o clímax finalmente veio, foi violento e perfeito. Meu corpo inteiro convulsionou de uma forma que nunca tinha acontecido antes. Eu me desfiz nos braços dele. Tudo que eu tive antes era morno. O que eu acabei de experimentar com esse estranho foi fervente. Era pura ebulição. [...] A luz do sol invadiu o quarto sem piedade, atingindo meu rosto para avisar que o dia tinha amanhecido. Abri os olhos e gemi. Virei-me na cama, esperando ver o homem misterioso, mas o lado dele estava vazio. Os lençóis ainda estavam amassados e com o cheiro dele. Meu Deus... o que eu fiz? Dormi com um desconhecido. Eu, Grace Reed, a aluna modelo e médica séria, tive um caso de uma noite? Céus, eu não perguntei nem o nome dele. Levei a mão ao rosto envergonhada de mim mesma, quando vi um papel em cima do criado-mudo, ao lado de um copo d'água e dois comprimidos de aspirina. "Fui buscar café e algo decente para comermos. Não vá embora. Volto em vinte minutos." A letra era forte e inclinada. Isso quer dizer que ele vai voltar? Café da manhã? Conversar à luz do dia? Não, eu não podia encarar isso. A magia da noite tinha evaporado, deixando apenas a realidade suja da minha vida. Engoli as aspirinas a seco, vesti minhas roupas de ontem e peguei minha bolsa. Fugi do quarto como uma ladra, rezando para não cruzar com ele no caminho. Peguei um táxi já que abandonei meu carro no bar e voltei para o meu apartamento. Ou melhor, o apartamento de Derek e Jéssica agora. No caminho meu celular apitou. Um e-mail urgente. "Prezada Dra. Reed, o novo Diretor do Hospital solicita sua presença imediata em seu escritório às 10:00h para deliberar sobre a revogação permanente da sua licença médica diante das acusações." Novo diretor? O antigo, Dr. Wilson, tinha se aposentado semana passada, mas eu não sabia que o substituto já tinha assumido. E ele já queria minha cabeça. Olhei para o relógio. 08:30h. Cheguei ao prédio e entrei prendendo a respiração. Silêncio. Graças a Deus, eles não estavam. Corri para o quarto e tomei um banho rápido. Vesti um terninho, o mais profissional que encontrei, e prendi o cabelo num coque apertado. Peguei um táxi até o bar e depois de recuperar meu carro, dirigi direto para o hospital. Eu não podia perder minha licença. Era a única coisa que me restava. Eu farei qualquer coisa, iria implorar, ia explicar e ia pedir uma investigação. Cheguei ao andar da diretoria. As enfermeiras no corredor pararam o que estavam fazendo para me olhar. Vi os cochichos, os olhares de pena e de julgamento. — A "viciada" teve coragem de vir... — ouvi um sussurro. Ergui o queixo, ignorando todos, e caminhei até a porta da sala do diretor. Bati duas vezes e entrei de cabeça baixa. — Bom dia — minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria. — Sou a Dra. Reed. O senhor queria me ver? Com certeza é um senhor idoso, severo e careca. Alguém conservador que me daria um sermão sobre ética e não me ouviria, mas não vou desistir. — Sente-se, Dra. Reed. A voz. Eu conhecia aquela voz. Tinha ouvido sussurros roucos e dominantes daquela mesma voz no meu ouvido há menos de seis horas, me dizendo para abrir as pernas e muitas outras coisas. Meus olhos se arregalaram e ergui a cabeça rapidamente. Lá estava ele. O terno perfeito, o cabelo escuro bem penteado e aqueles olhos profundos e hipnotizantes que me analisaram no bar. Era realmente o homem com quem eu tinha dormido e de quem tinha fugido esta manhã. Ele entrelaçou os dedos sobre a mesa e arqueou uma sobrancelha. — Sente-se. Nós teremos muito o que conversar, Grace. Capítulo 4: Nada nessa vida é de graça, Grace GRACE REED Me aproximei da cadeira e meus joelhos cederam. O homem à minha frente era o mesmo homem que horas atrás estava nu, suado e gemendo comigo em um hotel cinco estrelas e também era meu novo chefe. — É um prazer te receber. Sou Dominic Thorne. O novo Diretor Geral e chefe do conselho administrativo do hospital geral de Nova York. Diretor geral, Dominic Thorne. Eu tinha dormido com o diretor e agora, ele tinha minha vida nas mãos. Tentei formular um cumprimento qualquer, mas nada saiu além de um suspiro. Ele pegou uma pasta bege da mesa. — Dra. Grace Reed — ele pronunciou o rótulo, embora seus olhos não deixassem os meus. — Excelente médica. Notas perfeitas na faculdade. Recomendações estelares de todos os supervisores. Um histórico completamente limpo... até ontem à noite. Ele abriu a pasta e folheou os papéis enquanto minha ansiedade atingia picos nunca antes alcançados. — Sr. Thorne... Diretor... — Minha voz falhou miseravelmente e respirei fundo tentando focar no que era importante. — Eu não sei o que dizer. Sobre... sobre tudo isso. — Vamos nos ater aos fatos por um momento, Dra. Reed. Ele puxou uma folha de papel e a deslizou pela mesa em minha direção. Era o relatório de segurança. — A acusação é grave. Roubo de substâncias controladas. Fentanil e Oxicodona. Medicamentos que valem muito dinheiro no mercado clandestino e que destroem carreiras em segundos. O relatório diz que sua senha foi usada no dispensário às 19:45h. Ele entrelaçou os dedos na frente do rosto, observando-me como um falcão observa um rato de campo. — No entanto, eu sou um homem de detalhes, Grace. E há algo nesse relatório que me incomoda profundamente. Ele girou o computador para que eu pudesse ver a tela. Era um gráfico de turnos e registros de acesso. — Às 19:45h, você deveria estar mesmo no seu plantão e não mostra uma troca com outro funcionário. Mas sabemos que você não estava aqui ontem. — Não que seja possível usá-lo como testemunha de que estávamos juntos, aposto que ele não ia querer essa fofoca. Era mais provável me mandar pro olho da rua. — A menos que você tenha a habilidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo, é fisicamente impossível que você tenha digitado essa senha. — Exatamente! — exclamei, sentindo as lágrimas de frustração queimarem meus olhos. — Brenda... Brenda sabia minha senha. Ela me pediu para trocar o turno... com certeza ela armou tudo isso. Dominic assentiu lentamente. — Eu sei que foi uma armação. O sistema de câmeras do corredor do dispensário tem um ponto cego, convenientemente explorado, mas a câmera do elevador mostra a Dra. Brenda saindo com uma bolsa volumosa às 20:00h. Eu quase sorri de alívio. — Então eu posso voltar ao trabalho? O senhor vai limpar meu nome? Dominic fechou a pasta e se levantou. — Não é tão simples assim. Ele contornou a mesa. A cada passo que ele dava em minha direção, a memória do corpo dele sobre o meu invadia minha mente sem permissão. — O conselho não está interessado na verdade, Grace. Eles estão interessados em conter danos. — Ele parou na minha frente, apoiando o quadril na beirada da mesa. — O desaparecimento dos medicamentos já vazou para a imprensa. Eles querem uma cabeça numa bandeja. E a sua já está servida. — Mas eu sou inocente! — protestei, levantando-me num impulso de desespero, o que foi um erro. Agora estávamos a centímetros de distância. O cheiro dele me atingiu e minha respiração engatou. — Sim, nisso você é... — Ele disse suavemente, olhando para a minha boca e minhas bochechas esquentaram violentamente. Um canto da boca dele se curvou num sorriso mínimo. — Você está vermelha, Dra. Reed. Está com calor? O ar condicionado está no máximo. — Eu... eu estou sob muita pressão — gaguejei, recuando um passo e Dominic deu mais um passo à frente, eliminando a distância que eu tentei criar. Ele inclinou a cabeça, deixando sua boca perigosamente perto da minha orelha. — Engraçado... ontem à noite, você parecia lidar muito bem com a pressão. — Por favor, Sr. Thorne... isso é assédio — sussurrei, sem convicção alguma. — Isso é a realidade, Grace — ele recuou, voltando a ser profissional. — A realidade é que nós compartilhamos uma noite. E a outra realidade é que sua carreira acabou. Sentei-me novamente, derrotada. — Então é isso? — perguntei, sentindo a exaustão esmagar meus ombros. — Eu perdi tudo? — Existe uma saída — ele disse e levantei a cabeça rapidamente. — Qual? Eu faço qualquer coisa. — Eu posso fazer esse processo desaparecer. Não em meses, mas hoje. Tenho autoridade para demitir a Dra. Brenda por má conduta e expor a verdade de uma forma que transforme você em uma vítima, não em uma viciada suspeita. Posso restaurar sua reputação, seu salário e seu futuro. — Por quê? — perguntei, desconfiada. — Por que você faria isso por alguém que acabou de conhecer? Só porque dormimos juntos? Ele riu. — Eu admito que não consigo resistir ao seu corpo. Mas a verdade é que você tem algo que eu quero. Minha cabeça doía, tentando acompanhar o raciocínio dele. — Eu não estou entendendo. — Nada nessa vida é de graça, Grace. Eu posso salvar a sua carreira, devolver sua vida e te dar proteção contra qualquer um que tente te derrubar. Tanto nesse hospital quanto fora dele. Mas para isso, você também tem que me dar uma coisa. — O quê? — perguntei, embora temesse a resposta. Dominic Thorne sorriu genuína e alcançou seus olhos, tornando-o mais bonito e aterrorizante. — Em troca, Dra. Reed... Eu quero a sua mão em casamento. Capítulo 5: Casar com um homem que conheci ontem? DOMINIC THORNE Confesso que quando vi Grace cruzar a porta me surpreendi, mas isso só me dava mais uma razão para fazer a ela a proposta. Observei o choque paralisar o rosto dela. Grace me olhava como se eu tivesse acabado de anunciar que era um alienígena, e não que queria me casar com ela. Para ela, aquilo podia parecer loucura. Para mim, era apenas a jogada mais eficiente que fiz nos últimos anos. Se ela é tão esperta quanto acho que é, ela vai aceitar. O que teria a perder se casando comigo? Aos trinta e dois anos, estou no auge da minha forma física. Eu uso minha aparência como uma arma, tanto nos negócios quanto com as mulheres. E na noite passada eu vi, que Grace não era imune. Ela seria perfeita para resolver meu maior problema no momento: minha avó, Eleanor Thorne. A matriarca da família estava segurando a segunda metade da minha herança bilionária e o controle total do conglomerado médico. A condição dela era arcaica: para assumir o poder completamente, eu precisava deixar de ser o "playboy irresponsável" e me tornar um "homem de família". Ela ameaçou passar o controle para meu primo, um tolo que não sabe diferenciar um bisturi de uma faca de manteiga, só porque ele é casado e tem dois filhos. Eu precisava de uma esposa. E rápido. Meus olhos voltaram para Grace Reed. Analisei-a com cuidado. Ela era bonita, mas de uma forma elegante, não vulgar. Era médica, o que agradaria imensamente a velha Eleanor, que valorizava o intelecto e o status. E o mais importante: ela estava desesperada. Grace estava encurralada. Sem emprego, sem apoio, com a reputação na lama. Pessoas desesperadas são leais a quem as salva. Além disso, havia o fator bônus. A química entre nós era muito boa. Se eu vou ser forçado a um casamento de fachada por um ano, que seja com alguém que eu tenha prazer em levar para a cama. Isso evitaria que eu procurasse diversão fora de casa e gerasse escândalos. Ela era perfeita. Minha candidata ideal caiu de bandeja diante de mim. — Você está falando sério? — A voz dela quebrou meu raciocínio. — Nunca falei tão sério, Grace. — Inclinei-me para frente. — Vamos colocar as cartas na mesa. Eu tenho um problema com minha herança e isso exige que eu me case. Você também tem um problema já que sua vida virou um inferno e você está prestes a perder sua licença médica. — Sua herança é a razão então? — Acho que terei que ser mais óbvio. — Eu não estou procurando amor, Grace — continuei, sendo brutalmente honesto. — Estou procurando uma parceira de negócios. O contrato é simples e durará um ano. Durante doze meses, você será a Sra. Thorne. Você vai sorrir em jantares beneficentes, vai segurar meu braço em eventos e vai me ajudar a convencer minha avó de que estamos apaixonados. — Você faz parecer tão fácil... — ela sussurrou. — É fácil. Se assinar, eu demito a Brenda e exponho a armação dela hoje mesmo. Sua licença continua intacta. Garanto que só terá ganhos. Vi a dúvida e o medo nos olhos dela. GRACE REED Casamento? Com um homem que conheci ontem? Isso era loucura. Era imoral. Era a proposta mais absurda que já ouvi. — Eu não posso... — comecei a dizer, pronta para me levantar e sair correndo. — Isso é ridículo. Não vou me vender por um emprego, Sr. Thorne. Eu posso provar minha inocência sozinha. Assim que terminei a frase, meu celular vibrou violentamente na bolsa. Ergui-o e olhei para a tela. Duas novas mensagens. A primeira era de Derek: "Jéssica não se sente confortável com suas coisas aqui. Busque até as 17h ou mandarei o porteiro jogar fora. E devolva a chave." Esses lixos, nojentos, traidores! Dá pra acreditar? A segunda mensagem era da minha mãe: "Consegui adiar o prazo da agência até o meio-dia. Grace, não seja egoísta. A Ruby está chorando no quarto. Se você não transferir esse dinheiro agora, esqueça que tem mãe." Guardei o celular e olhei ao redor daquele escritório luxuoso. Lá fora, eu não tinha casa. Não tinha família. Não tinha dinheiro para manter advogados em um processo longo. Eu seria presa ou viveria com uma mancha eterna no currículo, trabalhando em subempregos para sobreviver, enquanto Derek e Jéssica riam no meu sofá e minha família me odiava. Aqui dentro, diante desse homem lindo e poderoso, eu tinha uma chance. Ele não disse nada. Apenas abriu uma gaveta da mesa e de lá, ele tirou uma pequena caixa de veludo. — Eu mandei fazer isso semana passada — ele comentou casualmente. — Eu estava procurando a candidata ideal e decidi que essa mulher é você. Ele abriu a caixa. Um diamante solitário, enorme e límpido, brilhou sob as luzes do escritório. Era o anel mais bonito e ostensivo que eu já tinha visto. Dominic parou na minha frente novamente. A imponência do corpo dele bloqueava a luz da janela, envolvendo-me em sua sombra. Ele estendeu a caixa aberta na minha direção. — Diga sim, Dra. Reed, e seus problemas acabam agora. Você sai daqui como minha noiva, com sua carreira salva e o mundo aos seus pés. — Ele fez uma pausa enquanto seus olhos escuros perfuravam os meus. — Diga não, e você sai por aquela porta sem emprego, sem casa e com um processo criminal nas costas. O que vai ser? Capítulo 6: O Contrato de Diamante GRACE REED Olhei para o anel dentro da caixa de veludo. Aquele diamante valia mais do que todos os anos de salário que eu perderia se fosse demitida. Pensei em Derek e no sorriso cruel dele enquanto me expulsava do apartamento que eu pagava metade. Pensei em Brenda, minha "amiga", colocando medicamentos no meu armário para salvar a própria pele ou apenas por pura maldade. Pensei na minha família, que só me via como um talão de cheques ambulante. O mundo tinha sido cruel com a minha bondade. Talvez fosse hora de parar de ser boa e aceitar ser a intocável "Sra. Thorne". Ergui o olhar para Dominic que não parecia ansioso, ele estava certo da vitória e eu não iria contra suas expectativas. — Sim. Eu aceito. Dominic não sorriu abertamente, mas houve um brilho de triunfo naqueles olhos escuros. Sem dizer uma palavra, ele tirou o anel da caixa. Estendi minha mão esquerda e ele segurou meus dedos com firmeza, deslizando o anel. Passou pela articulação sem nenhum esforço e pousou na base do meu dedo como se tivesse sido moldado especificamente para a minha anatomia. — Perfeito. — Ele murmurou, ainda segurando minha mão, observando a joia. — Agora, devo cumprir minha parte do acordo. Ele soltou minha mão e pressionou um botão no interfone da mesa. — Sra. Potts, mande o chefe de segurança e a Diretora de RH virem para a minha sala. — Imediatamente, Sr. Thorne. A porta se abriu segundos depois. Um homem corpulento de uniforme e uma mulher de meia-idade com cara de poucos amigos entraram. — Sr. Thorne? — a mulher do RH perguntou. — Sente-se, Vivian. Você também, Jorge. Dominic nem se levantou, apenas girou o monitor do computador novamente. — Jorge, eu revisei as filmagens de segurança do corredor do dispensário. Vocês alegaram um ponto cego, correto? — Sim, senhor. A câmera 4 estava inoperante — o segurança respondeu. — Curioso. Porque eu acessei o servidor de backup da nuvem e a câmera 4 gravou perfeitamente. Parece que alguém tentou deletar o arquivo local, mas esqueceu que nosso sistema é espelhado. Dominic clicou em um arquivo. Na tela, com uma clareza em alta definição, apareceu Brenda. Ela olhava para os lados, digitava algo no teclado — minha senha, que ela devia ter decorado ao me ver digitar mil vezes — e enchia o armário com frascos. Senti um alívio tão grande que minhas pernas amoleceram. — Vivian. Quero a Dra. Brenda demitida por justa causa imediatamente. Notifique o conselho de medicina e a polícia. Entregue essas imagens como prova. — Sim, Sr. Thorne! Imediatamente! — A mulher anotou furiosamente em seu tablet. — E quanto à Dra. Reed? O processo de suspensão... Dominic se levantou, contornou a mesa e parou ao lado da minha cadeira. Ele colocou uma mão possessiva no meu ombro. Era uma mensagem clara para todos na sala: ela é minha. — A Dra. Reed é a vítima aqui. Quero um pedido formal de desculpas do hospital enviado a ela por escrito. E, a propósito... gostaria de informar que a Dra. Reed em breve será a Sra. Thorne. Qualquer desrespeito a ela será considerado um desrespeito a mim. Fui claro? — Cristalino, senhor. Eles saíram da sala tropeçando nos próprios pés. Assim que a porta se fechou, soltei o ar que prendia. — Você resolveu tudo em dois minutos... — Falei desacreditada. — Isso é o que o poder faz, Grace — Dominic disse, retirando a mão do meu ombro. — E agora você tem uma fatia dele. Tenho uma reunião com acionistas em dez minutos. Vou pedir para meu motorista te levar. — Me levar? Para onde? — Para a minha cobertura. Onde você mora agora. — Espere um pouco. Eu não posso simplesmente ir para a sua casa com a roupa do corpo. Eu preciso buscar minhas coisas. Meus livros, minhas roupas, documentos... tudo está no meu antigo apartamento. Dominic franziu a testa, parecendo incomodado com a inconveniência. — Compre tudo novo. Eu te dou um cartão sem limite. — Não é questão de dinheiro, Dominic. São as minhas coisas. Minha vida está naquelas caixas. E... — Cerrei os punhos. — Eu não vou dar para aqueles traidores a satisfação de ficarem com nada que é meu. — Traidores? — Longa história. — Hum, tudo bem. Mas seja rápida. Mandarei o endereço da cobertura para o seu celular. Te vejo à noite no jantar. Esteja em casa às sete, se não quiser ser severamente punida. — Ele sorriu com malícia. — Que consequências? — Engoli em seco.
🎓 COMBO ESPECIAL – MESTRADO + DOUTORADO EM DIVINDADE Certificação e Credencial EAD | Curso Livre 🏛️ Instituto Teológico YAHWEH O Instituto Teológico YAHWEH oferece a você a oportunidade de aprofundar seu conhecimento teológico por meio do Mestrado e Doutorado em Divindade – EAD/Livre. 🔥 Formação destinada a: ✔️ Pastores ✔️ Evangelistas ✔️ Missionários ✔️ Obreiros ✔️ Líderes e Mestres ✔️ Vocacionados para a obra de Deus Estamos presentes em todo o território nacional, formando homens e mulheres comprometidos com a expansão do Reino de Deus. 📚 METODOLOGIA DE ENSINO ✔️ Apostilas em PDF de alta qualidade ✔️ Videoaulas gravadas por Mestres e Doutores ✔️ Plataforma 100% online ✔️ Acesso vitalício 📝 SISTEMA DE AVALIAÇÃO ✔️ Prova objetiva ao final de cada disciplina ✔️ Sem TCC ✔️ Flexibilidade total: estude no seu ritmo 🎓 CERTIFICAÇÃO E CREDENCIAL Ao ser aprovado, o aluno recebe: ✔️ Diploma Digital de Conclusão ✔️ Credencial Ministerial (WhatsApp ou e-mail) ✔️ Validade Eclesiástica para uso ministerial 🏛️ MESTRADO EM DIVINDADE Carga Horária: 960 horas • Sociologia da Religião • Técnicas de Comunicação • Pedagogia Cristã • Introdução à Psicopedagogia • Hermenêutica – Novo Testamento • Direito Eclesiástico • Escatologia • Filosofia Cristã • Metodologia do Trabalho Científico • Análise no Livro de Romanos 🏛️ DOUTORADO EM DIVINDADE Carga Horária: 1.200 horas • Doutrina Cristã da Trindade • Doutrina Cristã de Deus • Introdução à Teologia • Teontologia • Teologia Pastoral • Cultura Bíblica I • Bibliologia I • O Evangelho de Mateus • Soteriologia II • Antropologia • Geografia Bíblica I 💼 CAMPO DE ATUAÇÃO ✔️ Pastorado e Liderança ✔️ Ensino Teológico ✔️ Missões Nacionais e Internacionais ✔️ Capelania (Hospitalar, Prisional, Escolar e Militar) ✔️ Aconselhamento Pastoral ✔️ Palestras e Conferências ✔️ Produção de Livros e Conteúdo Teológico 📑 CURSO LIVRE – VALIDADE ECLESIÁSTICA ✔️ Amparado pela Lei nº 9.394/96 ✔️ Decreto nº 5.154/04 ✔️ Deliberação CEE nº 14/97 ✔️ Sem vínculo com o MEC (formação ministerial/eclesiástica) 💳 INVESTIMENTO 🔥 Apenas R$ 257,90 ✔️ Parcelamento em até 10x no cartão ✔️ Acesso vitalício ✔️ Liberação imediata após pagamento
Atravessar para outro mundo é um pesadelo. Camila se vê no corpo de uma vilã de 150 quilos, odiada por todos os parceiros de nível S, até ser empurrada de um penhasco por uma serpente. Mas tudo muda quando ela desperta um sistema de conquista: quanto maior a afinidade, mais bela ela se torna — e começa a virar o jogo. De -99 até conquistar a todos… até que a serpente volta a encurralá-la.
Eu estava me preparando para emendar mais um turno no hospital quando Brenda, uma colega residente, começou a gritar por mim. — Estou aqui! — Grace? — Ela me encontrou entre os armários e juntou as mãos como pedido. — Sei que você vai dobrar, mas queria te pedir um favor imenso. — Diga, Brenda. — Eu tenho um compromisso inadiável amanhã de manhã, com a escola do meu filho. Você poderia trocar comigo? Você pega meu turno amanhã e eu fico com o seu de hoje. — Tudo bem. — disse eu, com um sorriso cansado. — Eu cubro você amanhã. — Sério? — Os olhos dela se arregalaram. — Sim. Vou aproveitar e fazer uma surpresa para o Derek. — Você é um anjo, Grace! Um anjo! Enquanto ela saía correndo, eu me permiti sorrir. A fadiga desapareceu de imediato. Peguei minha bolsa e saí para o ar fresco da tarde. Em vez de ir para casa dormir, dirigi direto para o mercado gourmet do centro. Eu queria mimá-los. Estávamos todos muito ocupados ultimamente. Eu, com as cirurgias de emergência, Derek, com os contratos da agência, e Jéssica, minha melhor amiga que se mudara para o nosso quarto de hóspedes há seis meses após perder o emprego. Quase não nos víamos, apesar de dividirmos o mesmo teto. Comprei bifes. Peguei duas garrafas de um Cabernet Sauvignon envelhecido que Derek adorava e uma torta de limão que era a favorita de Jéssica. — Vai ser uma noite perfeita — murmurei para mim mesma enquanto o caixa passava os itens. Dirigi até nosso prédio com o rádio ligado, cantando baixinho. Subi animada, pronta para gritar "Surpresa!", mas as palavras morreram na minha garganta antes de nascerem ao ouvir os ruídos abafados e rítmicos. Franzi a testa e deixei as sacolas no chão da entrada, sem fazer barulho. Encontrei roupas e sapatos no caminho do corredor. — Isso... mais forte, Derek, meu Deus... Cheguei na porta da sala de estar, que estava entreaberta. Eu olhei. Derek estava por cima dela. As costas dele, que eu conhecia tão bem, cada sarda, cada músculo, se contraíam com o esforço. Jéssica estava embaixo dele, as pernas envolvendo a cintura do meu namorado, a cabeça jogada para trás, os cabelos loiros espalhados pelo estofado. Eles estavam em um frenesi. Havia uma conexão perversa na forma como as mãos dele seguravam os quadris dela, na forma como ela arranhava as costas dele, que me dizia que aquela não era a primeira vez. Nem a segunda. Como médica, eu estava acostumada a reagir rápido. Mas ver o homem que eu amava penetrando minha melhor amiga foi um golpe que me deixou zonza. Abri a porta em automático e o movimento no sofá parou instantaneamente. Derek virou a cabeça, os olhos arregalados, o rosto vermelho de esforço e prazer transformando-se em choque. Jéssica empurrou o corpo dele e se cobriu com uma almofada, soltando um grito agudo e ridículo. — Grace? — A voz de Derek saiu rouca. — O que você está fazendo aqui? Você não tinha plantão? — O que eu estou fazendo aqui? — Olhei para as sacolas na entrada. — Eu vim fazer uma surpresa. Um jantar. Jéssica começou a chorar. — Grace, amiga, por favor, não é o que você está pensando... — ela balbuciou, tentando puxar o vestido para cobrir o corpo. — Não é o que eu estou pensando? — Eu ri. Devo parecer muito burra pra ela, né? — Vocês estão nus no meu sofá. O membro do meu namorado ainda está... — Apontei, sentindo a bile subir na garganta. — Não insulte a minha inteligência, Jéssica. Eu pago o teto sobre a sua cabeça! Derek finalmente se levantou, vestindo a calça às pressas. Mas em vez de cair de joelhos e pedir perdão, a expressão dele endureceu. — Sabe de uma coisa, Grace? Talvez se você estivesse em casa mais vezes, isso não tivesse acontecido — disparou ele. — O quê? — Recuei um passo, surpresa com o ataque repentino. — Você é fria — continuou ele, ganhando confiança na própria canalhice. — Você vive naquele hospital. Você chega em casa cheirando a morte, cansada demais para me tocar. A Jéssica... ela está sempre aqui. Ela me escuta. Ela me admira. Ela é uma mulher de verdade. — Eu trabalhava para sustentar nós três! — gritei, as lágrimas finalmente transbordando, quentes e dolorosas. — Eu pago a comida que você e essa vadia comem! — E você nunca nos deixa esquecer disso, não é? — Ele zombou. — A grande e bondosa Dra. Reed. Mas adivinha? Não preciso da sua caridade. Olhei para Jéssica, esperando que pelo menos ela dissesse que ele estava louco já que quem a sustentava era eu. Mas ela apenas desviou o olhar, murmurando: — Ele se sentia sozinho, Grace. A gente se apaixonou. Aconteceu. Eu olhei para os dois. Duas pessoas que eu amava tanto. E de repente, pareciam estranhos. — Saiam daqui — sussurrei. — O apartamento está no meu nome também, Grace — Derek disse, com um sorriso cruel. — Na verdade, acho que você deveria sair. Você está histérica. Não dá para conversar com você assim. — Quer saber... Eu estou cansada demais pra discutir. — Saí do apartamento deixando a porta aberta. Cheguei à calçada, o ar frio bateu no meu rosto molhado. Eu não sabia para onde ir. Foi quando meu celular tocou no bolso. Limpei o rosto com as costas da mão, tremendo. Olhei para a tela. "Hospital Geral NY - Administração". Atendi, tentando firmar a voz. — Dra. Reed falando. — Dra. Grace Reed? Aqui é Richard, do departamento jurídico e de ética do hospital. Franzi a testa. Jurídico? — Sim, Richard. Aconteceu alguma coisa? — Dra. Reed, estou ligando para informar que você está suspensa de todas as suas funções médicas, com efeito imediato. Não apareça para o seu próximo turno. — O quê? Do que você está falando? Capítulo 2: Você é uma egoísta e ingrata! GRACE REED — O quê? Do que você está falando? — Minha voz tremeu. — Encontramos frascos de Oxicodona e Fentanil no seu armário pessoal, Dra. Reed. E os registros digitais mostram que eles foram retirados com a sua senha — Richard disse. — Isso é impossível! Eu nunca... Alguém deve ter pegado minha senha, alguém colocou isso lá! — gritei para o telefone, atraindo olhares de pedestres curiosos. — Richard, eu dedico minha vida a esse hospital! — As provas são contundentes, Grace. Há imagens de segurança também. Não tente piorar a situação aparecendo no hospital. O conselho vai se reunir, mas sugiro que procure um advogado criminalista. Até logo. A linha ficou muda. Deixei o celular cair na bolsa, sem acreditar que tudo isso era real. Em menos de duas horas, perdi meu namorado, minha melhor amiga, minha casa e agora minha carreira. Alguém tinha plantado aquilo. Eu precisava de um abraço. Precisava de alguém que me dissesse que tudo ficaria bem. Entrei no meu carro e dirigi até a casa dos meus pais, no subúrbio. Eles sempre foram exigentes, mas eram minha família. Eles me acolheriam. Cheguei lá com o rosto inchado e a maquiagem borrada. Minha mãe abriu a porta e, antes que ela pudesse falar, entrei na sala desabando no sofá. — Mãe... o Derek... ele me traiu com a Jéssica — solucei, as palavras saindo atropeladas. — E o hospital... me suspenderam, mãe. Disseram que roubei remédios. Minha vida acabou. Minha mãe, sentada na poltrona com uma revista na mão, suspirou. — Isso é ruim, Grace, muito chato mesmo — disse ela, como se eu só tivesse quebrado uma unha. — Mas precisamos falar de algo sério agora. Levantei a cabeça, confusa, limpando as lágrimas. — Sério? Mãe, eu acabei de dizer que perdi tudo! O que poderia ser mais sério que isso? — A Ruby foi aceita na agência de modelos, Grace! — Ela sorriu, ignorando meu desespero. — É a grande chance da sua irmã. Mas o curso preparatório e o book custam cinco mil dólares. Você precisa transferir o dinheiro hoje. O prazo acaba amanhã. Fiquei olhando para ela, paralisada. — Você por acaso ouviu alguma coisa do que eu disse? — perguntei, desacreditada. — Eu fui suspensa. Não vou receber salário. Meus advogados vão custar uma fortuna para provar minha inocência. Talvez congelem minhas contas! Eu não tenho cinco mil dólares para dar para a Ruby brincar de modelo! Meu pai entrou na sala nesse momento, segurando uma cerveja. — Como é que é? — Ele franziu a testa e vi seu rosto rapidamente ficando vermelho. — Você vai negar um futuro para a sua irmã? Depois de tudo que fizemos para você virar médica? — Fizemos? — Eu me levantei, sentindo indignação queimar o resto da minha tristeza. — Eu paguei minha faculdade sozinha! Eu trabalho feito uma condenada! Eu preciso desse dinheiro para não ir para a cadeia! — Você é uma egoísta e ingrata! — meu pai explodiu, apontando o dedo na minha cara. — Você sempre teve tudo. Sempre foi a mais inteligente e cheia de oportunidades. Agora a Ruby tem a chance dela e você quer cortar as asas da menina por pura inveja! — O quê?! Eu não tive oportunidades! Eu as criei! Olhei para o canto da sala. Ruby estava encostada na parede, lixando as unhas. Ela me olhou e deu um sorrisinho presunçoso, sabendo que era a favorita. — Grace, transfira o dinheiro agora ou não precisa mais aparecer aqui — meu pai decretou. Senti como se tivesse levado um tapa físico. Para eles, eu não era uma filha. Eu era só um caixa eletrônico. Se não cuspisse dinheiro, não servia para nada. Peguei minha bolsa e saí da casa onde cresci, ouvindo meu pai gritar insultos atrás de mim. Entrei no carro, mas não liguei o motor para partir. Eu não tinha para onde ir. Me hospedar uns dias em um hotel seria caro demais para quem podia precisar de advogados competentes em breve. Bebida. Sim, preciso de algo e desligar meu cérebro. Dirigi até meu bar favorito. — Garrafa? — o barman perguntou. — Copos. Muitos deles. Virei o primeiro. O segundo. O terceiro. O ardor na garganta era bem-vindo e distraía a dor no meu corpo. O mundo começou a ficar ligeiramente nublado, o que era ótimo. — Ei, gatinha... — Uma mão pousou no meu ombro. Um homem com cheiro de cerveja barata e suor se encostou em mim. — Você parece muito sozinha. Que tal irmos para o meu carro? — Sai fora. — Murmurei, tentando empurrá-lo, mas minhas mãos pareciam tão zonzas quanto eu. — Ah, não se faça de difícil... — Ele apertou meu braço. De repente, uma sombra cobriu nós dois. — O senhor não ouviu a dama? Ela disse para sair. A voz era grave, aveludada e demonstrava uma autoridade que fez os pelos da minha nuca se arrepiarem. O bêbado olhou para cima e empalideceu. O homem parado atrás dele usava um terno, feito sob medida, que gritava dinheiro e poder. Mas eram seus olhos escuros que assustavam. E talvez a altura... Uau, ele é grande. O bêbado soltou meu braço e saiu tropeçando. O homem misterioso puxou o banco ao meu lado e se sentou. Ele fez um sinal para o barman, que imediatamente lhe serviu um uísque sem que ele precisasse pedir. Ele se virou para mim e agora tive chance de notar que ele é devastadoramente bonito, com traços fortes e uma mandíbula marcada, seus cabelos eram castanhos escuros... ou claros, não sei, essa iluminação me deixa confusa. Me senti atraída como uma mariposa para a chama. Ele me analisou, seus olhos varreram meu rosto e meu estado que devia ser deplorável. — Você parece alguém que quer esquecer de tudo esta noite — o estranho bonito comentou. Eu olhei para o fundo do copo vazio, depois para os olhos escuros dele. Eu não tinha mais nada a perder. Minha vida "perfeita" era uma mentira. Eu estava cansada de ser a boa moça, a boa filha e a boa namorada. Levantei o olhar para ele, um sorriso imprudente e ferido curvou meus lábios. — Mas você pode me ajudar a lembrar de alguma coisa... Capítulo 3: O novo diretor GRACE REED — O que me diz? — Estiquei a mão e deslizei no corpo dele. — Você tem certeza disso? — Ele segurou meu queixo, obrigando-me a encará-lo. — Eu não costumo me aproveitar de mulheres embriagadas e tristes em bares. — Eu só tomei três doses — respondi, e era verdade. Posso ter tomado rápido demais, mas meu juízo estava em ordem. — Estou perfeitamente consciente. — Só três... — Ele me olhou fundo nos olhos, como se pudesse avaliar minha sobriedade assim. — Eu não sei quem você é — continuei, passando a ponta dos dedos pela lapela do terno dele. — Mas você está me olhando como se me quisesse. E, agora, isso é tudo o que eu preciso. Ele não disse mais nada. Pagou a conta para nós e me guiou para fora do bar com uma mão firme nas minhas costas que me fez estremecer. Caminhamos apenas uma quadra até um hotel de luxo. Ele nem precisou fazer check-in, apenas cumprimentou o porteiro e fomos direto para o elevador privativo da cobertura. Assim que a porta do quarto se fechou, ele me prensou contra a madeira. A boca dele tomou a minha com uma fome e urgência que me deixaram tonta. Derek nunca me beijou assim. Derek era carinhoso e previsível. Com Derek, eu sabia onde as mãos dele iriam, sabia o ritmo, sabia o final. Não era ruim, só era confortável. As mãos dele percorreram meu corpo como se ele já conhecesse cada curva. Quando ele tirou minha blusa, eu não senti medo. Senti liberdade. Ele me levou para a cama, e a maneira como se moveu sobre mim me fez sentir pequena e protegida ao mesmo tempo. Aquele homem estava me devorando. O toque dele era diferente de tudo o que eu já tinha sentido. Onde Derek era hesitante, esse estranho era decidido. Ele sabia exatamente onde tocar para fazer meu corpo arquear, sabia a pressão exata, o ritmo exato. Cada movimento dele me fez sentir um prazer inimaginável. Eu me peguei gritando e emitindo sons que eu nem sabia que podia fazer, sons que eu nunca tinha soltado antes. — É isso que você queria lembrar? — ele sussurrou contra o meu pescoço, mordendo a pele sensível ali e soprando em seguida. — Eu vou fazer você esquecer tudo, exceto de mim. A habilidade dele era devastadora. Ele me levou à beira do abismo e me segurou lá, prolongando o prazer até que se tornasse quase insuportável. Com esse homem, eu não precisava fazer nada além de sentir. Ele estava totalmente no comando. Quando o clímax finalmente veio, foi violento e perfeito. Meu corpo inteiro convulsionou de uma forma que nunca tinha acontecido antes. Eu me desfiz nos braços dele. Tudo que eu tive antes era morno. O que eu acabei de experimentar com esse estranho foi fervente. Era pura ebulição. [...] A luz do sol invadiu o quarto sem piedade, atingindo meu rosto para avisar que o dia tinha amanhecido. Abri os olhos e gemi. Virei-me na cama, esperando ver o homem misterioso, mas o lado dele estava vazio. Os lençóis ainda estavam amassados e com o cheiro dele. Meu Deus... o que eu fiz? Dormi com um desconhecido. Eu, Grace Reed, a aluna modelo e médica séria, tive um caso de uma noite? Céus, eu não perguntei nem o nome dele. Levei a mão ao rosto envergonhada de mim mesma, quando vi um papel em cima do criado-mudo, ao lado de um copo d'água e dois comprimidos de aspirina. "Fui buscar café e algo decente para comermos. Não vá embora. Volto em vinte minutos." A letra era forte e inclinada. Isso quer dizer que ele vai voltar? Café da manhã? Conversar à luz do dia? Não, eu não podia encarar isso. A magia da noite tinha evaporado, deixando apenas a realidade suja da minha vida. Engoli as aspirinas a seco, vesti minhas roupas de ontem e peguei minha bolsa. Fugi do quarto como uma ladra, rezando para não cruzar com ele no caminho. Peguei um táxi já que abandonei meu carro no bar e voltei para o meu apartamento. Ou melhor, o apartamento de Derek e Jéssica agora. No caminho meu celular apitou. Um e-mail urgente. "Prezada Dra. Reed, o novo Diretor do Hospital solicita sua presença imediata em seu escritório às 10:00h para deliberar sobre a revogação permanente da sua licença médica diante das acusações." Novo diretor? O antigo, Dr. Wilson, tinha se aposentado semana passada, mas eu não sabia que o substituto já tinha assumido. E ele já queria minha cabeça. Olhei para o relógio. 08:30h. Cheguei ao prédio e entrei prendendo a respiração. Silêncio. Graças a Deus, eles não estavam. Corri para o quarto e tomei um banho rápido. Vesti um terninho, o mais profissional que encontrei, e prendi o cabelo num coque apertado. Peguei um táxi até o bar e depois de recuperar meu carro, dirigi direto para o hospital. Eu não podia perder minha licença. Era a única coisa que me restava. Eu farei qualquer coisa, iria implorar, ia explicar e ia pedir uma investigação. Cheguei ao andar da diretoria. As enfermeiras no corredor pararam o que estavam fazendo para me olhar. Vi os cochichos, os olhares de pena e de julgamento. — A "viciada" teve coragem de vir... — ouvi um sussurro. Ergui o queixo, ignorando todos, e caminhei até a porta da sala do diretor. Bati duas vezes e entrei de cabeça baixa. — Bom dia — minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria. — Sou a Dra. Reed. O senhor queria me ver? Com certeza é um senhor idoso, severo e careca. Alguém conservador que me daria um sermão sobre ética e não me ouviria, mas não vou desistir. — Sente-se, Dra. Reed. A voz. Eu conhecia aquela voz. Tinha ouvido sussurros roucos e dominantes daquela mesma voz no meu ouvido há menos de seis horas, me dizendo para abrir as pernas e muitas outras coisas. Meus olhos se arregalaram e ergui a cabeça rapidamente. Lá estava ele. O terno perfeito, o cabelo escuro bem penteado e aqueles olhos profundos e hipnotizantes que me analisaram no bar. Era realmente o homem com quem eu tinha dormido e de quem tinha fugido esta manhã. Ele entrelaçou os dedos sobre a mesa e arqueou uma sobrancelha. — Sente-se. Nós teremos muito o que conversar, Grace. Capítulo 4: Nada nessa vida é de graça, Grace GRACE REED Me aproximei da cadeira e meus joelhos cederam. O homem à minha frente era o mesmo homem que horas atrás estava nu, suado e gemendo comigo em um hotel cinco estrelas e também era meu novo chefe. — É um prazer te receber. Sou Dominic Thorne. O novo Diretor Geral e chefe do conselho administrativo do hospital geral de Nova York. Diretor geral, Dominic Thorne. Eu tinha dormido com o diretor e agora, ele tinha minha vida nas mãos. Tentei formular um cumprimento qualquer, mas nada saiu além de um suspiro. Ele pegou uma pasta bege da mesa. — Dra. Grace Reed — ele pronunciou o rótulo, embora seus olhos não deixassem os meus. — Excelente médica. Notas perfeitas na faculdade. Recomendações estelares de todos os supervisores. Um histórico completamente limpo... até ontem à noite. Ele abriu a pasta e folheou os papéis enquanto minha ansiedade atingia picos nunca antes alcançados. — Sr. Thorne... Diretor... — Minha voz falhou miseravelmente e respirei fundo tentando focar no que era importante. — Eu não sei o que dizer. Sobre... sobre tudo isso. — Vamos nos ater aos fatos por um momento, Dra. Reed. Ele puxou uma folha de papel e a deslizou pela mesa em minha direção. Era o relatório de segurança. — A acusação é grave. Roubo de substâncias controladas. Fentanil e Oxicodona. Medicamentos que valem muito dinheiro no mercado clandestino e que destroem carreiras em segundos. O relatório diz que sua senha foi usada no dispensário às 19:45h. Ele entrelaçou os dedos na frente do rosto, observando-me como um falcão observa um rato de campo. — No entanto, eu sou um homem de detalhes, Grace. E há algo nesse relatório que me incomoda profundamente. Ele girou o computador para que eu pudesse ver a tela. Era um gráfico de turnos e registros de acesso. — Às 19:45h, você deveria estar mesmo no seu plantão e não mostra uma troca com outro funcionário. Mas sabemos que você não estava aqui ontem. — Não que seja possível usá-lo como testemunha de que estávamos juntos, aposto que ele não ia querer essa fofoca. Era mais provável me mandar pro olho da rua. — A menos que você tenha a habilidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo, é fisicamente impossível que você tenha digitado essa senha. — Exatamente! — exclamei, sentindo as lágrimas de frustração queimarem meus olhos. — Brenda... Brenda sabia minha senha. Ela me pediu para trocar o turno... com certeza ela armou tudo isso. Dominic assentiu lentamente. — Eu sei que foi uma armação. O sistema de câmeras do corredor do dispensário tem um ponto cego, convenientemente explorado, mas a câmera do elevador mostra a Dra. Brenda saindo com uma bolsa volumosa às 20:00h. Eu quase sorri de alívio. — Então eu posso voltar ao trabalho? O senhor vai limpar meu nome? Dominic fechou a pasta e se levantou. — Não é tão simples assim. Ele contornou a mesa. A cada passo que ele dava em minha direção, a memória do corpo dele sobre o meu invadia minha mente sem permissão. — O conselho não está interessado na verdade, Grace. Eles estão interessados em conter danos. — Ele parou na minha frente, apoiando o quadril na beirada da mesa. — O desaparecimento dos medicamentos já vazou para a imprensa. Eles querem uma cabeça numa bandeja. E a sua já está servida. — Mas eu sou inocente! — protestei, levantando-me num impulso de desespero, o que foi um erro. Agora estávamos a centímetros de distância. O cheiro dele me atingiu e minha respiração engatou. — Sim, nisso você é... — Ele disse suavemente, olhando para a minha boca e minhas bochechas esquentaram violentamente. Um canto da boca dele se curvou num sorriso mínimo. — Você está vermelha, Dra. Reed. Está com calor? O ar condicionado está no máximo. — Eu... eu estou sob muita pressão — gaguejei, recuando um passo e Dominic deu mais um passo à frente, eliminando a distância que eu tentei criar. Ele inclinou a cabeça, deixando sua boca perigosamente perto da minha orelha. — Engraçado... ontem à noite, você parecia lidar muito bem com a pressão. — Por favor, Sr. Thorne... isso é assédio — sussurrei, sem convicção alguma. — Isso é a realidade, Grace — ele recuou, voltando a ser profissional. — A realidade é que nós compartilhamos uma noite. E a outra realidade é que sua carreira acabou. Sentei-me novamente, derrotada. — Então é isso? — perguntei, sentindo a exaustão esmagar meus ombros. — Eu perdi tudo? — Existe uma saída — ele disse e levantei a cabeça rapidamente. — Qual? Eu faço qualquer coisa. — Eu posso fazer esse processo desaparecer. Não em meses, mas hoje. Tenho autoridade para demitir a Dra. Brenda por má conduta e expor a verdade de uma forma que transforme você em uma vítima, não em uma viciada suspeita. Posso restaurar sua reputação, seu salário e seu futuro. — Por quê? — perguntei, desconfiada. — Por que você faria isso por alguém que acabou de conhecer? Só porque dormimos juntos? Ele riu. — Eu admito que não consigo resistir ao seu corpo. Mas a verdade é que você tem algo que eu quero. Minha cabeça doía, tentando acompanhar o raciocínio dele. — Eu não estou entendendo. — Nada nessa vida é de graça, Grace. Eu posso salvar a sua carreira, devolver sua vida e te dar proteção contra qualquer um que tente te derrubar. Tanto nesse hospital quanto fora dele. Mas para isso, você também tem que me dar uma coisa. — O quê? — perguntei, embora temesse a resposta. Dominic Thorne sorriu genuína e alcançou seus olhos, tornando-o mais bonito e aterrorizante. — Em troca, Dra. Reed... Eu quero a sua mão em casamento. Capítulo 5: Casar com um homem que conheci ontem? DOMINIC THORNE Confesso que quando vi Grace cruzar a porta me surpreendi, mas isso só me dava mais uma razão para fazer a ela a proposta. Observei o choque paralisar o rosto dela. Grace me olhava como se eu tivesse acabado de anunciar que era um alienígena, e não que queria me casar com ela. Para ela, aquilo podia parecer loucura. Para mim, era apenas a jogada mais eficiente que fiz nos últimos anos. Se ela é tão esperta quanto acho que é, ela vai aceitar. O que teria a perder se casando comigo? Aos trinta e dois anos, estou no auge da minha forma física. Eu uso minha aparência como uma arma, tanto nos negócios quanto com as mulheres. E na noite passada eu vi, que Grace não era imune. Ela seria perfeita para resolver meu maior problema no momento: minha avó, Eleanor Thorne. A matriarca da família estava segurando a segunda metade da minha herança bilionária e o controle total do conglomerado médico. A condição dela era arcaica: para assumir o poder completamente, eu precisava deixar de ser o "playboy irresponsável" e me tornar um "homem de família". Ela ameaçou passar o controle para meu primo, um tolo que não sabe diferenciar um bisturi de uma faca de manteiga, só porque ele é casado e tem dois filhos. Eu precisava de uma esposa. E rápido. Meus olhos voltaram para Grace Reed. Analisei-a com cuidado. Ela era bonita, mas de uma forma elegante, não vulgar. Era médica, o que agradaria imensamente a velha Eleanor, que valorizava o intelecto e o status. E o mais importante: ela estava desesperada. Grace estava encurralada. Sem emprego, sem apoio, com a reputação na lama. Pessoas desesperadas são leais a quem as salva. Além disso, havia o fator bônus. A química entre nós era muito boa. Se eu vou ser forçado a um casamento de fachada por um ano, que seja com alguém que eu tenha prazer em levar para a cama. Isso evitaria que eu procurasse diversão fora de casa e gerasse escândalos. Ela era perfeita. Minha candidata ideal caiu de bandeja diante de mim. — Você está falando sério? — A voz dela quebrou meu raciocínio. — Nunca falei tão sério, Grace. — Inclinei-me para frente. — Vamos colocar as cartas na mesa. Eu tenho um problema com minha herança e isso exige que eu me case. Você também tem um problema já que sua vida virou um inferno e você está prestes a perder sua licença médica. — Sua herança é a razão então? — Acho que terei que ser mais óbvio. — Eu não estou procurando amor, Grace — continuei, sendo brutalmente honesto. — Estou procurando uma parceira de negócios. O contrato é simples e durará um ano. Durante doze meses, você será a Sra. Thorne. Você vai sorrir em jantares beneficentes, vai segurar meu braço em eventos e vai me ajudar a convencer minha avó de que estamos apaixonados. — Você faz parecer tão fácil... — ela sussurrou. — É fácil. Se assinar, eu demito a Brenda e exponho a armação dela hoje mesmo. Sua licença continua intacta. Garanto que só terá ganhos. Vi a dúvida e o medo nos olhos dela. GRACE REED Casamento? Com um homem que conheci ontem? Isso era loucura. Era imoral. Era a proposta mais absurda que já ouvi. — Eu não posso... — comecei a dizer, pronta para me levantar e sair correndo. — Isso é ridículo. Não vou me vender por um emprego, Sr. Thorne. Eu posso provar minha inocência sozinha. Assim que terminei a frase, meu celular vibrou violentamente na bolsa. Ergui-o e olhei para a tela. Duas novas mensagens. A primeira era de Derek: "Jéssica não se sente confortável com suas coisas aqui. Busque até as 17h ou mandarei o porteiro jogar fora. E devolva a chave." Esses lixos, nojentos, traidores! Dá pra acreditar? A segunda mensagem era da minha mãe: "Consegui adiar o prazo da agência até o meio-dia. Grace, não seja egoísta. A Ruby está chorando no quarto. Se você não transferir esse dinheiro agora, esqueça que tem mãe." Guardei o celular e olhei ao redor daquele escritório luxuoso. Lá fora, eu não tinha casa. Não tinha família. Não tinha dinheiro para manter advogados em um processo longo. Eu seria presa ou viveria com uma mancha eterna no currículo, trabalhando em subempregos para sobreviver, enquanto Derek e Jéssica riam no meu sofá e minha família me odiava. Aqui dentro, diante desse homem lindo e poderoso, eu tinha uma chance. Ele não disse nada. Apenas abriu uma gaveta da mesa e de lá, ele tirou uma pequena caixa de veludo. — Eu mandei fazer isso semana passada — ele comentou casualmente. — Eu estava procurando a candidata ideal e decidi que essa mulher é você. Ele abriu a caixa. Um diamante solitário, enorme e límpido, brilhou sob as luzes do escritório. Era o anel mais bonito e ostensivo que eu já tinha visto. Dominic parou na minha frente novamente. A imponência do corpo dele bloqueava a luz da janela, envolvendo-me em sua sombra. Ele estendeu a caixa aberta na minha direção. — Diga sim, Dra. Reed, e seus problemas acabam agora. Você sai daqui como minha noiva, com sua carreira salva e o mundo aos seus pés. — Ele fez uma pausa enquanto seus olhos escuros perfuravam os meus. — Diga não, e você sai por aquela porta sem emprego, sem casa e com um processo criminal nas costas. O que vai ser? Capítulo 6: O Contrato de Diamante GRACE REED Olhei para o anel dentro da caixa de veludo. Aquele diamante valia mais do que todos os anos de salário que eu perderia se fosse demitida. Pensei em Derek e no sorriso cruel dele enquanto me expulsava do apartamento que eu pagava metade. Pensei em Brenda, minha "amiga", colocando medicamentos no meu armário para salvar a própria pele ou apenas por pura maldade. Pensei na minha família, que só me via como um talão de cheques ambulante. O mundo tinha sido cruel com a minha bondade. Talvez fosse hora de parar de ser boa e aceitar ser a intocável "Sra. Thorne". Ergui o olhar para Dominic que não parecia ansioso, ele estava certo da vitória e eu não iria contra suas expectativas. — Sim. Eu aceito. Dominic não sorriu abertamente, mas houve um brilho de triunfo naqueles olhos escuros. Sem dizer uma palavra, ele tirou o anel da caixa. Estendi minha mão esquerda e ele segurou meus dedos com firmeza, deslizando o anel. Passou pela articulação sem nenhum esforço e pousou na base do meu dedo como se tivesse sido moldado especificamente para a minha anatomia. — Perfeito. — Ele murmurou, ainda segurando minha mão, observando a joia. — Agora, devo cumprir minha parte do acordo. Ele soltou minha mão e pressionou um botão no interfone da mesa. — Sra. Potts, mande o chefe de segurança e a Diretora de RH virem para a minha sala. — Imediatamente, Sr. Thorne. A porta se abriu segundos depois. Um homem corpulento de uniforme e uma mulher de meia-idade com cara de poucos amigos entraram. — Sr. Thorne? — a mulher do RH perguntou. — Sente-se, Vivian. Você também, Jorge. Dominic nem se levantou, apenas girou o monitor do computador novamente. — Jorge, eu revisei as filmagens de segurança do corredor do dispensário. Vocês alegaram um ponto cego, correto? — Sim, senhor. A câmera 4 estava inoperante — o segurança respondeu. — Curioso. Porque eu acessei o servidor de backup da nuvem e a câmera 4 gravou perfeitamente. Parece que alguém tentou deletar o arquivo local, mas esqueceu que nosso sistema é espelhado. Dominic clicou em um arquivo. Na tela, com uma clareza em alta definição, apareceu Brenda. Ela olhava para os lados, digitava algo no teclado — minha senha, que ela devia ter decorado ao me ver digitar mil vezes — e enchia o armário com frascos. Senti um alívio tão grande que minhas pernas amoleceram. — Vivian. Quero a Dra. Brenda demitida por justa causa imediatamente. Notifique o conselho de medicina e a polícia. Entregue essas imagens como prova. — Sim, Sr. Thorne! Imediatamente! — A mulher anotou furiosamente em seu tablet. — E quanto à Dra. Reed? O processo de suspensão... Dominic se levantou, contornou a mesa e parou ao lado da minha cadeira. Ele colocou uma mão possessiva no meu ombro. Era uma mensagem clara para todos na sala: ela é minha. — A Dra. Reed é a vítima aqui. Quero um pedido formal de desculpas do hospital enviado a ela por escrito. E, a propósito... gostaria de informar que a Dra. Reed em breve será a Sra. Thorne. Qualquer desrespeito a ela será considerado um desrespeito a mim. Fui claro? — Cristalino, senhor. Eles saíram da sala tropeçando nos próprios pés. Assim que a porta se fechou, soltei o ar que prendia. — Você resolveu tudo em dois minutos... — Falei desacreditada. — Isso é o que o poder faz, Grace — Dominic disse, retirando a mão do meu ombro. — E agora você tem uma fatia dele. Tenho uma reunião com acionistas em dez minutos. Vou pedir para meu motorista te levar. — Me levar? Para onde? — Para a minha cobertura. Onde você mora agora. — Espere um pouco. Eu não posso simplesmente ir para a sua casa com a roupa do corpo. Eu preciso buscar minhas coisas. Meus livros, minhas roupas, documentos... tudo está no meu antigo apartamento. Dominic franziu a testa, parecendo incomodado com a inconveniência. — Compre tudo novo. Eu te dou um cartão sem limite. — Não é questão de dinheiro, Dominic. São as minhas coisas. Minha vida está naquelas caixas. E... — Cerrei os punhos. — Eu não vou dar para aqueles traidores a satisfação de ficarem com nada que é meu. — Traidores? — Longa história. — Hum, tudo bem. Mas seja rápida. Mandarei o endereço da cobertura para o seu celular. Te vejo à noite no jantar. Esteja em casa às sete, se não quiser ser severamente punida. — Ele sorriu com malícia. — Que consequências? — Engoli em seco.
Cozinha Suja, Alma Ferida: Leon Luta por Seu Companheiro | Acesso Total Gratuito
Unlimited VPN master to unblock sites, WiFi hotspot security, protect privacy / VPN ilimitado para desbloquear sites, proteger Wi-Fi e garantir privacidade
Atravessar para outro mundo é um pesadelo. Camila se vê no corpo de uma vilã de 150 quilos, odiada por todos os parceiros de nível S, até ser empurrada de um penhasco por uma serpente. Mas tudo muda quando ela desperta um sistema de conquista: quanto maior a afinidade, mais bela ela se torna — e começa a virar o jogo. De -99 até conquistar a todos… até que a serpente volta a encurralá-la.
🥰 Assista a todos os vídeos gratuitamente
🌿 Vila Aparecida em transformação: obra que sai do papel e vira realidade! ✨ Nada de ficar só no projeto — estamos transformando mais uma vez a Vila Aparecida! 💪🏡 As obras do novo Parque Ecológico seguem avançando dentro do cronograma, consolidando uma megaestrutura que vai trazer mais qualidade de vida e abrir novas oportunidades para o ecoturismo, esporte, lazer e cultura no município. 🌳🎭 Nesta semana, demos mais um passo importante com a implantação de um novo método de engenharia: uma rua em concreto armado. 🚜 Realizamos a concretagem do primeiro acesso, de um total de três que farão parte do novo parque. E o que mais motiva é ouvir os depoimentos dos moradores, que acompanham de perto cada etapa da obra e compartilham a expectativa por esse novo espaço. Isso faz todo o trabalho valer ainda mais a pena! ❤️🙌 A meta é clara: até o final deste ano, entregar à população o novo Parque das Águas — um espaço moderno, sustentável e feito para todos! 💧🌟 #ObrasQueTransformam #ParqueDasÁguas #CapãoBonito
Alguns destaques da gestão Governo do Povo / MAURA JORGE. ❤️ ✅ Centro de Imagem com exames gratuitos para a população; ✅ Policlínica com várias especialidades médicas; ✅ Hospital Municipal moderno, estruturado e equipado; ✅ Centro de Reabilitação; ✅ UBS da Mulher e UBS do Homem, inclusive com atendimento noturno; ✅ Saúde na Palma da Mão: consultas marcadas pelo WhatsApp( comodismo para população) ✅ Disk Ambulância 24 horas para população; ✅ Programa Laços de Amor, pioneiro no Maranhão para crianças com necessidades específicas; ✅ Regularização fundiária referência no estado; ✅ Escolas de tempo integral climatizadas; ✅ Creches e investimentos contínuos na educação; ✅ Frota de ônibus escolares; ✅ Segurança pioneira com drones, videomonitoramento e inteligência artificial; ✅ Obras de infraestrutura, iluminação, asfalto e bloquetes na sede e zona rural; ✅ Várias frentes de asfalto acontecendo ao mesmo tempo, durante os 365 dias do ano. Gestão humanizada, trabalho e resultados que melhoram a vida das pessoas. 🙌
Atravessar para outro mundo é um pesadelo. Camila se vê no corpo de uma vilã de 150 quilos, odiada por todos os parceiros de nível S, até ser empurrada de um penhasco por uma serpente. Mas tudo muda quando ela desperta um sistema de conquista: quanto maior a afinidade, mais bela ela se torna — e começa a virar o jogo. De -99 até conquistar a todos… até que a serpente volta a encurralá-la.
Atravessar para outro mundo é um pesadelo. Camila se vê no corpo de uma vilã de 150 quilos, odiada por todos os parceiros de nível S, até ser empurrada de um penhasco por uma serpente. Mas tudo muda quando ela desperta um sistema de conquista: quanto maior a afinidade, mais bela ela se torna — e começa a virar o jogo. De -99 até conquistar a todos… até que a serpente volta a encurralá-la.
Atravessar para outro mundo é um pesadelo. Camila se vê no corpo de uma vilã de 150 quilos, odiada por todos os parceiros de nível S, até ser empurrada de um penhasco por uma serpente. Mas tudo muda quando ela desperta um sistema de conquista: quanto maior a afinidade, mais bela ela se torna — e começa a virar o jogo. De -99 até conquistar a todos… até que a serpente volta a encurralá-la.
Eu estava me preparando para emendar mais um turno no hospital quando Brenda, uma colega residente, começou a gritar por mim. — Estou aqui! — Grace? — Ela me encontrou entre os armários e juntou as mãos como pedido. — Sei que você vai dobrar, mas queria te pedir um favor imenso. — Diga, Brenda. — Eu tenho um compromisso inadiável amanhã de manhã, com a escola do meu filho. Você poderia trocar comigo? Você pega meu turno amanhã e eu fico com o seu de hoje. — Tudo bem. — disse eu, com um sorriso cansado. — Eu cubro você amanhã. — Sério? — Os olhos dela se arregalaram. — Sim. Vou aproveitar e fazer uma surpresa para o Derek. — Você é um anjo, Grace! Um anjo! Enquanto ela saía correndo, eu me permiti sorrir. A fadiga desapareceu de imediato. Peguei minha bolsa e saí para o ar fresco da tarde. Em vez de ir para casa dormir, dirigi direto para o mercado gourmet do centro. Eu queria mimá-los. Estávamos todos muito ocupados ultimamente. Eu, com as cirurgias de emergência, Derek, com os contratos da agência, e Jéssica, minha melhor amiga que se mudara para o nosso quarto de hóspedes há seis meses após perder o emprego. Quase não nos víamos, apesar de dividirmos o mesmo teto. Comprei bifes. Peguei duas garrafas de um Cabernet Sauvignon envelhecido que Derek adorava e uma torta de limão que era a favorita de Jéssica. — Vai ser uma noite perfeita — murmurei para mim mesma enquanto o caixa passava os itens. Dirigi até nosso prédio com o rádio ligado, cantando baixinho. Subi animada, pronta para gritar "Surpresa!", mas as palavras morreram na minha garganta antes de nascerem ao ouvir os ruídos abafados e rítmicos. Franzi a testa e deixei as sacolas no chão da entrada, sem fazer barulho. Encontrei roupas e sapatos no caminho do corredor. — Isso... mais forte, Derek, meu Deus... Cheguei na porta da sala de estar, que estava entreaberta. Eu olhei. Derek estava por cima dela. As costas dele, que eu conhecia tão bem, cada sarda, cada músculo, se contraíam com o esforço. Jéssica estava embaixo dele, as pernas envolvendo a cintura do meu namorado, a cabeça jogada para trás, os cabelos loiros espalhados pelo estofado. Eles estavam em um frenesi. Havia uma conexão perversa na forma como as mãos dele seguravam os quadris dela, na forma como ela arranhava as costas dele, que me dizia que aquela não era a primeira vez. Nem a segunda. Como médica, eu estava acostumada a reagir rápido. Mas ver o homem que eu amava penetrando minha melhor amiga foi um golpe que me deixou zonza. Abri a porta em automático e o movimento no sofá parou instantaneamente. Derek virou a cabeça, os olhos arregalados, o rosto vermelho de esforço e prazer transformando-se em choque. Jéssica empurrou o corpo dele e se cobriu com uma almofada, soltando um grito agudo e ridículo. — Grace? — A voz de Derek saiu rouca. — O que você está fazendo aqui? Você não tinha plantão? — O que eu estou fazendo aqui? — Olhei para as sacolas na entrada. — Eu vim fazer uma surpresa. Um jantar. Jéssica começou a chorar. — Grace, amiga, por favor, não é o que você está pensando... — ela balbuciou, tentando puxar o vestido para cobrir o corpo. — Não é o que eu estou pensando? — Eu ri. Devo parecer muito burra pra ela, né? — Vocês estão nus no meu sofá. O membro do meu namorado ainda está... — Apontei, sentindo a bile subir na garganta. — Não insulte a minha inteligência, Jéssica. Eu pago o teto sobre a sua cabeça! Derek finalmente se levantou, vestindo a calça às pressas. Mas em vez de cair de joelhos e pedir perdão, a expressão dele endureceu. — Sabe de uma coisa, Grace? Talvez se você estivesse em casa mais vezes, isso não tivesse acontecido — disparou ele. — O quê? — Recuei um passo, surpresa com o ataque repentino. — Você é fria — continuou ele, ganhando confiança na própria canalhice. — Você vive naquele hospital. Você chega em casa cheirando a morte, cansada demais para me tocar. A Jéssica... ela está sempre aqui. Ela me escuta. Ela me admira. Ela é uma mulher de verdade. — Eu trabalhava para sustentar nós três! — gritei, as lágrimas finalmente transbordando, quentes e dolorosas. — Eu pago a comida que você e essa vadia comem! — E você nunca nos deixa esquecer disso, não é? — Ele zombou. — A grande e bondosa Dra. Reed. Mas adivinha? Não preciso da sua caridade. Olhei para Jéssica, esperando que pelo menos ela dissesse que ele estava louco já que quem a sustentava era eu. Mas ela apenas desviou o olhar, murmurando: — Ele se sentia sozinho, Grace. A gente se apaixonou. Aconteceu. Eu olhei para os dois. Duas pessoas que eu amava tanto. E de repente, pareciam estranhos. — Saiam daqui — sussurrei. — O apartamento está no meu nome também, Grace — Derek disse, com um sorriso cruel. — Na verdade, acho que você deveria sair. Você está histérica. Não dá para conversar com você assim. — Quer saber... Eu estou cansada demais pra discutir. — Saí do apartamento deixando a porta aberta. Cheguei à calçada, o ar frio bateu no meu rosto molhado. Eu não sabia para onde ir. Foi quando meu celular tocou no bolso. Limpei o rosto com as costas da mão, tremendo. Olhei para a tela. "Hospital Geral NY - Administração". Atendi, tentando firmar a voz. — Dra. Reed falando. — Dra. Grace Reed? Aqui é Richard, do departamento jurídico e de ética do hospital. Franzi a testa. Jurídico? — Sim, Richard. Aconteceu alguma coisa? — Dra. Reed, estou ligando para informar que você está suspensa de todas as suas funções médicas, com efeito imediato. Não apareça para o seu próximo turno. — O quê? Do que você está falando? Capítulo 2: Você é uma egoísta e ingrata! GRACE REED — O quê? Do que você está falando? — Minha voz tremeu. — Encontramos frascos de Oxicodona e Fentanil no seu armário pessoal, Dra. Reed. E os registros digitais mostram que eles foram retirados com a sua senha — Richard disse. — Isso é impossível! Eu nunca... Alguém deve ter pegado minha senha, alguém colocou isso lá! — gritei para o telefone, atraindo olhares de pedestres curiosos. — Richard, eu dedico minha vida a esse hospital! — As provas são contundentes, Grace. Há imagens de segurança também. Não tente piorar a situação aparecendo no hospital. O conselho vai se reunir, mas sugiro que procure um advogado criminalista. Até logo. A linha ficou muda. Deixei o celular cair na bolsa, sem acreditar que tudo isso era real. Em menos de duas horas, perdi meu namorado, minha melhor amiga, minha casa e agora minha carreira. Alguém tinha plantado aquilo. Eu precisava de um abraço. Precisava de alguém que me dissesse que tudo ficaria bem. Entrei no meu carro e dirigi até a casa dos meus pais, no subúrbio. Eles sempre foram exigentes, mas eram minha família. Eles me acolheriam. Cheguei lá com o rosto inchado e a maquiagem borrada. Minha mãe abriu a porta e, antes que ela pudesse falar, entrei na sala desabando no sofá. — Mãe... o Derek... ele me traiu com a Jéssica — solucei, as palavras saindo atropeladas. — E o hospital... me suspenderam, mãe. Disseram que roubei remédios. Minha vida acabou. Minha mãe, sentada na poltrona com uma revista na mão, suspirou. — Isso é ruim, Grace, muito chato mesmo — disse ela, como se eu só tivesse quebrado uma unha. — Mas precisamos falar de algo sério agora. Levantei a cabeça, confusa, limpando as lágrimas. — Sério? Mãe, eu acabei de dizer que perdi tudo! O que poderia ser mais sério que isso? — A Ruby foi aceita na agência de modelos, Grace! — Ela sorriu, ignorando meu desespero. — É a grande chance da sua irmã. Mas o curso preparatório e o book custam cinco mil dólares. Você precisa transferir o dinheiro hoje. O prazo acaba amanhã. Fiquei olhando para ela, paralisada. — Você por acaso ouviu alguma coisa do que eu disse? — perguntei, desacreditada. — Eu fui suspensa. Não vou receber salário. Meus advogados vão custar uma fortuna para provar minha inocência. Talvez congelem minhas contas! Eu não tenho cinco mil dólares para dar para a Ruby brincar de modelo! Meu pai entrou na sala nesse momento, segurando uma cerveja. — Como é que é? — Ele franziu a testa e vi seu rosto rapidamente ficando vermelho. — Você vai negar um futuro para a sua irmã? Depois de tudo que fizemos para você virar médica? — Fizemos? — Eu me levantei, sentindo indignação queimar o resto da minha tristeza. — Eu paguei minha faculdade sozinha! Eu trabalho feito uma condenada! Eu preciso desse dinheiro para não ir para a cadeia! — Você é uma egoísta e ingrata! — meu pai explodiu, apontando o dedo na minha cara. — Você sempre teve tudo. Sempre foi a mais inteligente e cheia de oportunidades. Agora a Ruby tem a chance dela e você quer cortar as asas da menina por pura inveja! — O quê?! Eu não tive oportunidades! Eu as criei! Olhei para o canto da sala. Ruby estava encostada na parede, lixando as unhas. Ela me olhou e deu um sorrisinho presunçoso, sabendo que era a favorita. — Grace, transfira o dinheiro agora ou não precisa mais aparecer aqui — meu pai decretou. Senti como se tivesse levado um tapa físico. Para eles, eu não era uma filha. Eu era só um caixa eletrônico. Se não cuspisse dinheiro, não servia para nada. Peguei minha bolsa e saí da casa onde cresci, ouvindo meu pai gritar insultos atrás de mim. Entrei no carro, mas não liguei o motor para partir. Eu não tinha para onde ir. Me hospedar uns dias em um hotel seria caro demais para quem podia precisar de advogados competentes em breve. Bebida. Sim, preciso de algo e desligar meu cérebro. Dirigi até meu bar favorito. — Garrafa? — o barman perguntou. — Copos. Muitos deles. Virei o primeiro. O segundo. O terceiro. O ardor na garganta era bem-vindo e distraía a dor no meu corpo. O mundo começou a ficar ligeiramente nublado, o que era ótimo. — Ei, gatinha... — Uma mão pousou no meu ombro. Um homem com cheiro de cerveja barata e suor se encostou em mim. — Você parece muito sozinha. Que tal irmos para o meu carro? — Sai fora. — Murmurei, tentando empurrá-lo, mas minhas mãos pareciam tão zonzas quanto eu. — Ah, não se faça de difícil... — Ele apertou meu braço. De repente, uma sombra cobriu nós dois. — O senhor não ouviu a dama? Ela disse para sair. A voz era grave, aveludada e demonstrava uma autoridade que fez os pelos da minha nuca se arrepiarem. O bêbado olhou para cima e empalideceu. O homem parado atrás dele usava um terno, feito sob medida, que gritava dinheiro e poder. Mas eram seus olhos escuros que assustavam. E talvez a altura... Uau, ele é grande. O bêbado soltou meu braço e saiu tropeçando. O homem misterioso puxou o banco ao meu lado e se sentou. Ele fez um sinal para o barman, que imediatamente lhe serviu um uísque sem que ele precisasse pedir. Ele se virou para mim e agora tive chance de notar que ele é devastadoramente bonito, com traços fortes e uma mandíbula marcada, seus cabelos eram castanhos escuros... ou claros, não sei, essa iluminação me deixa confusa. Me senti atraída como uma mariposa para a chama. Ele me analisou, seus olhos varreram meu rosto e meu estado que devia ser deplorável. — Você parece alguém que quer esquecer de tudo esta noite — o estranho bonito comentou. Eu olhei para o fundo do copo vazio, depois para os olhos escuros dele. Eu não tinha mais nada a perder. Minha vida "perfeita" era uma mentira. Eu estava cansada de ser a boa moça, a boa filha e a boa namorada. Levantei o olhar para ele, um sorriso imprudente e ferido curvou meus lábios. — Mas você pode me ajudar a lembrar de alguma coisa... Capítulo 3: O novo diretor GRACE REED — O que me diz? — Estiquei a mão e deslizei no corpo dele. — Você tem certeza disso? — Ele segurou meu queixo, obrigando-me a encará-lo. — Eu não costumo me aproveitar de mulheres embriagadas e tristes em bares. — Eu só tomei três doses — respondi, e era verdade. Posso ter tomado rápido demais, mas meu juízo estava em ordem. — Estou perfeitamente consciente. — Só três... — Ele me olhou fundo nos olhos, como se pudesse avaliar minha sobriedade assim. — Eu não sei quem você é — continuei, passando a ponta dos dedos pela lapela do terno dele. — Mas você está me olhando como se me quisesse. E, agora, isso é tudo o que eu preciso. Ele não disse mais nada. Pagou a conta para nós e me guiou para fora do bar com uma mão firme nas minhas costas que me fez estremecer. Caminhamos apenas uma quadra até um hotel de luxo. Ele nem precisou fazer check-in, apenas cumprimentou o porteiro e fomos direto para o elevador privativo da cobertura. Assim que a porta do quarto se fechou, ele me prensou contra a madeira. A boca dele tomou a minha com uma fome e urgência que me deixaram tonta. Derek nunca me beijou assim. Derek era carinhoso e previsível. Com Derek, eu sabia onde as mãos dele iriam, sabia o ritmo, sabia o final. Não era ruim, só era confortável. As mãos dele percorreram meu corpo como se ele já conhecesse cada curva. Quando ele tirou minha blusa, eu não senti medo. Senti liberdade. Ele me levou para a cama, e a maneira como se moveu sobre mim me fez sentir pequena e protegida ao mesmo tempo. Aquele homem estava me devorando. O toque dele era diferente de tudo o que eu já tinha sentido. Onde Derek era hesitante, esse estranho era decidido. Ele sabia exatamente onde tocar para fazer meu corpo arquear, sabia a pressão exata, o ritmo exato. Cada movimento dele me fez sentir um prazer inimaginável. Eu me peguei gritando e emitindo sons que eu nem sabia que podia fazer, sons que eu nunca tinha soltado antes. — É isso que você queria lembrar? — ele sussurrou contra o meu pescoço, mordendo a pele sensível ali e soprando em seguida. — Eu vou fazer você esquecer tudo, exceto de mim. A habilidade dele era devastadora. Ele me levou à beira do abismo e me segurou lá, prolongando o prazer até que se tornasse quase insuportável. Com esse homem, eu não precisava fazer nada além de sentir. Ele estava totalmente no comando. Quando o clímax finalmente veio, foi violento e perfeito. Meu corpo inteiro convulsionou de uma forma que nunca tinha acontecido antes. Eu me desfiz nos braços dele. Tudo que eu tive antes era morno. O que eu acabei de experimentar com esse estranho foi fervente. Era pura ebulição. [...] A luz do sol invadiu o quarto sem piedade, atingindo meu rosto para avisar que o dia tinha amanhecido. Abri os olhos e gemi. Virei-me na cama, esperando ver o homem misterioso, mas o lado dele estava vazio. Os lençóis ainda estavam amassados e com o cheiro dele. Meu Deus... o que eu fiz? Dormi com um desconhecido. Eu, Grace Reed, a aluna modelo e médica séria, tive um caso de uma noite? Céus, eu não perguntei nem o nome dele. Levei a mão ao rosto envergonhada de mim mesma, quando vi um papel em cima do criado-mudo, ao lado de um copo d'água e dois comprimidos de aspirina. "Fui buscar café e algo decente para comermos. Não vá embora. Volto em vinte minutos." A letra era forte e inclinada. Isso quer dizer que ele vai voltar? Café da manhã? Conversar à luz do dia? Não, eu não podia encarar isso. A magia da noite tinha evaporado, deixando apenas a realidade suja da minha vida. Engoli as aspirinas a seco, vesti minhas roupas de ontem e peguei minha bolsa. Fugi do quarto como uma ladra, rezando para não cruzar com ele no caminho. Peguei um táxi já que abandonei meu carro no bar e voltei para o meu apartamento. Ou melhor, o apartamento de Derek e Jéssica agora. No caminho meu celular apitou. Um e-mail urgente. "Prezada Dra. Reed, o novo Diretor do Hospital solicita sua presença imediata em seu escritório às 10:00h para deliberar sobre a revogação permanente da sua licença médica diante das acusações." Novo diretor? O antigo, Dr. Wilson, tinha se aposentado semana passada, mas eu não sabia que o substituto já tinha assumido. E ele já queria minha cabeça. Olhei para o relógio. 08:30h. Cheguei ao prédio e entrei prendendo a respiração. Silêncio. Graças a Deus, eles não estavam. Corri para o quarto e tomei um banho rápido. Vesti um terninho, o mais profissional que encontrei, e prendi o cabelo num coque apertado. Peguei um táxi até o bar e depois de recuperar meu carro, dirigi direto para o hospital. Eu não podia perder minha licença. Era a única coisa que me restava. Eu farei qualquer coisa, iria implorar, ia explicar e ia pedir uma investigação. Cheguei ao andar da diretoria. As enfermeiras no corredor pararam o que estavam fazendo para me olhar. Vi os cochichos, os olhares de pena e de julgamento. — A "viciada" teve coragem de vir... — ouvi um sussurro. Ergui o queixo, ignorando todos, e caminhei até a porta da sala do diretor. Bati duas vezes e entrei de cabeça baixa. — Bom dia — minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria. — Sou a Dra. Reed. O senhor queria me ver? Com certeza é um senhor idoso, severo e careca. Alguém conservador que me daria um sermão sobre ética e não me ouviria, mas não vou desistir. — Sente-se, Dra. Reed. A voz. Eu conhecia aquela voz. Tinha ouvido sussurros roucos e dominantes daquela mesma voz no meu ouvido há menos de seis horas, me dizendo para abrir as pernas e muitas outras coisas. Meus olhos se arregalaram e ergui a cabeça rapidamente. Lá estava ele. O terno perfeito, o cabelo escuro bem penteado e aqueles olhos profundos e hipnotizantes que me analisaram no bar. Era realmente o homem com quem eu tinha dormido e de quem tinha fugido esta manhã. Ele entrelaçou os dedos sobre a mesa e arqueou uma sobrancelha. — Sente-se. Nós teremos muito o que conversar, Grace. Capítulo 4: Nada nessa vida é de graça, Grace GRACE REED Me aproximei da cadeira e meus joelhos cederam. O homem à minha frente era o mesmo homem que horas atrás estava nu, suado e gemendo comigo em um hotel cinco estrelas e também era meu novo chefe. — É um prazer te receber. Sou Dominic Thorne. O novo Diretor Geral e chefe do conselho administrativo do hospital geral de Nova York. Diretor geral, Dominic Thorne. Eu tinha dormido com o diretor e agora, ele tinha minha vida nas mãos. Tentei formular um cumprimento qualquer, mas nada saiu além de um suspiro. Ele pegou uma pasta bege da mesa. — Dra. Grace Reed — ele pronunciou o rótulo, embora seus olhos não deixassem os meus. — Excelente médica. Notas perfeitas na faculdade. Recomendações estelares de todos os supervisores. Um histórico completamente limpo... até ontem à noite. Ele abriu a pasta e folheou os papéis enquanto minha ansiedade atingia picos nunca antes alcançados. — Sr. Thorne... Diretor... — Minha voz falhou miseravelmente e respirei fundo tentando focar no que era importante. — Eu não sei o que dizer. Sobre... sobre tudo isso. — Vamos nos ater aos fatos por um momento, Dra. Reed. Ele puxou uma folha de papel e a deslizou pela mesa em minha direção. Era o relatório de segurança. — A acusação é grave. Roubo de substâncias controladas. Fentanil e Oxicodona. Medicamentos que valem muito dinheiro no mercado clandestino e que destroem carreiras em segundos. O relatório diz que sua senha foi usada no dispensário às 19:45h. Ele entrelaçou os dedos na frente do rosto, observando-me como um falcão observa um rato de campo. — No entanto, eu sou um homem de detalhes, Grace. E há algo nesse relatório que me incomoda profundamente. Ele girou o computador para que eu pudesse ver a tela. Era um gráfico de turnos e registros de acesso. — Às 19:45h, você deveria estar mesmo no seu plantão e não mostra uma troca com outro funcionário. Mas sabemos que você não estava aqui ontem. — Não que seja possível usá-lo como testemunha de que estávamos juntos, aposto que ele não ia querer essa fofoca. Era mais provável me mandar pro olho da rua. — A menos que você tenha a habilidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo, é fisicamente impossível que você tenha digitado essa senha. — Exatamente! — exclamei, sentindo as lágrimas de frustração queimarem meus olhos. — Brenda... Brenda sabia minha senha. Ela me pediu para trocar o turno... com certeza ela armou tudo isso. Dominic assentiu lentamente. — Eu sei que foi uma armação. O sistema de câmeras do corredor do dispensário tem um ponto cego, convenientemente explorado, mas a câmera do elevador mostra a Dra. Brenda saindo com uma bolsa volumosa às 20:00h. Eu quase sorri de alívio. — Então eu posso voltar ao trabalho? O senhor vai limpar meu nome? Dominic fechou a pasta e se levantou. — Não é tão simples assim. Ele contornou a mesa. A cada passo que ele dava em minha direção, a memória do corpo dele sobre o meu invadia minha mente sem permissão. — O conselho não está interessado na verdade, Grace. Eles estão interessados em conter danos. — Ele parou na minha frente, apoiando o quadril na beirada da mesa. — O desaparecimento dos medicamentos já vazou para a imprensa. Eles querem uma cabeça numa bandeja. E a sua já está servida. — Mas eu sou inocente! — protestei, levantando-me num impulso de desespero, o que foi um erro. Agora estávamos a centímetros de distância. O cheiro dele me atingiu e minha respiração engatou. — Sim, nisso você é... — Ele disse suavemente, olhando para a minha boca e minhas bochechas esquentaram violentamente. Um canto da boca dele se curvou num sorriso mínimo. — Você está vermelha, Dra. Reed. Está com calor? O ar condicionado está no máximo. — Eu... eu estou sob muita pressão — gaguejei, recuando um passo e Dominic deu mais um passo à frente, eliminando a distância que eu tentei criar. Ele inclinou a cabeça, deixando sua boca perigosamente perto da minha orelha. — Engraçado... ontem à noite, você parecia lidar muito bem com a pressão. — Por favor, Sr. Thorne... isso é assédio — sussurrei, sem convicção alguma. — Isso é a realidade, Grace — ele recuou, voltando a ser profissional. — A realidade é que nós compartilhamos uma noite. E a outra realidade é que sua carreira acabou. Sentei-me novamente, derrotada. — Então é isso? — perguntei, sentindo a exaustão esmagar meus ombros. — Eu perdi tudo? — Existe uma saída — ele disse e levantei a cabeça rapidamente. — Qual? Eu faço qualquer coisa. — Eu posso fazer esse processo desaparecer. Não em meses, mas hoje. Tenho autoridade para demitir a Dra. Brenda por má conduta e expor a verdade de uma forma que transforme você em uma vítima, não em uma viciada suspeita. Posso restaurar sua reputação, seu salário e seu futuro. — Por quê? — perguntei, desconfiada. — Por que você faria isso por alguém que acabou de conhecer? Só porque dormimos juntos? Ele riu. — Eu admito que não consigo resistir ao seu corpo. Mas a verdade é que você tem algo que eu quero. Minha cabeça doía, tentando acompanhar o raciocínio dele. — Eu não estou entendendo. — Nada nessa vida é de graça, Grace. Eu posso salvar a sua carreira, devolver sua vida e te dar proteção contra qualquer um que tente te derrubar. Tanto nesse hospital quanto fora dele. Mas para isso, você também tem que me dar uma coisa. — O quê? — perguntei, embora temesse a resposta. Dominic Thorne sorriu genuína e alcançou seus olhos, tornando-o mais bonito e aterrorizante. — Em troca, Dra. Reed... Eu quero a sua mão em casamento. Capítulo 5: Casar com um homem que conheci ontem? DOMINIC THORNE Confesso que quando vi Grace cruzar a porta me surpreendi, mas isso só me dava mais uma razão para fazer a ela a proposta. Observei o choque paralisar o rosto dela. Grace me olhava como se eu tivesse acabado de anunciar que era um alienígena, e não que queria me casar com ela. Para ela, aquilo podia parecer loucura. Para mim, era apenas a jogada mais eficiente que fiz nos últimos anos. Se ela é tão esperta quanto acho que é, ela vai aceitar. O que teria a perder se casando comigo? Aos trinta e dois anos, estou no auge da minha forma física. Eu uso minha aparência como uma arma, tanto nos negócios quanto com as mulheres. E na noite passada eu vi, que Grace não era imune. Ela seria perfeita para resolver meu maior problema no momento: minha avó, Eleanor Thorne. A matriarca da família estava segurando a segunda metade da minha herança bilionária e o controle total do conglomerado médico. A condição dela era arcaica: para assumir o poder completamente, eu precisava deixar de ser o "playboy irresponsável" e me tornar um "homem de família". Ela ameaçou passar o controle para meu primo, um tolo que não sabe diferenciar um bisturi de uma faca de manteiga, só porque ele é casado e tem dois filhos. Eu precisava de uma esposa. E rápido. Meus olhos voltaram para Grace Reed. Analisei-a com cuidado. Ela era bonita, mas de uma forma elegante, não vulgar. Era médica, o que agradaria imensamente a velha Eleanor, que valorizava o intelecto e o status. E o mais importante: ela estava desesperada. Grace estava encurralada. Sem emprego, sem apoio, com a reputação na lama. Pessoas desesperadas são leais a quem as salva. Além disso, havia o fator bônus. A química entre nós era muito boa. Se eu vou ser forçado a um casamento de fachada por um ano, que seja com alguém que eu tenha prazer em levar para a cama. Isso evitaria que eu procurasse diversão fora de casa e gerasse escândalos. Ela era perfeita. Minha candidata ideal caiu de bandeja diante de mim. — Você está falando sério? — A voz dela quebrou meu raciocínio. — Nunca falei tão sério, Grace. — Inclinei-me para frente. — Vamos colocar as cartas na mesa. Eu tenho um problema com minha herança e isso exige que eu me case. Você também tem um problema já que sua vida virou um inferno e você está prestes a perder sua licença médica. — Sua herança é a razão então? — Acho que terei que ser mais óbvio. — Eu não estou procurando amor, Grace — continuei, sendo brutalmente honesto. — Estou procurando uma parceira de negócios. O contrato é simples e durará um ano. Durante doze meses, você será a Sra. Thorne. Você vai sorrir em jantares beneficentes, vai segurar meu braço em eventos e vai me ajudar a convencer minha avó de que estamos apaixonados. — Você faz parecer tão fácil... — ela sussurrou. — É fácil. Se assinar, eu demito a Brenda e exponho a armação dela hoje mesmo. Sua licença continua intacta. Garanto que só terá ganhos. Vi a dúvida e o medo nos olhos dela. GRACE REED Casamento? Com um homem que conheci ontem? Isso era loucura. Era imoral. Era a proposta mais absurda que já ouvi. — Eu não posso... — comecei a dizer, pronta para me levantar e sair correndo. — Isso é ridículo. Não vou me vender por um emprego, Sr. Thorne. Eu posso provar minha inocência sozinha. Assim que terminei a frase, meu celular vibrou violentamente na bolsa. Ergui-o e olhei para a tela. Duas novas mensagens. A primeira era de Derek: "Jéssica não se sente confortável com suas coisas aqui. Busque até as 17h ou mandarei o porteiro jogar fora. E devolva a chave." Esses lixos, nojentos, traidores! Dá pra acreditar? A segunda mensagem era da minha mãe: "Consegui adiar o prazo da agência até o meio-dia. Grace, não seja egoísta. A Ruby está chorando no quarto. Se você não transferir esse dinheiro agora, esqueça que tem mãe." Guardei o celular e olhei ao redor daquele escritório luxuoso. Lá fora, eu não tinha casa. Não tinha família. Não tinha dinheiro para manter advogados em um processo longo. Eu seria presa ou viveria com uma mancha eterna no currículo, trabalhando em subempregos para sobreviver, enquanto Derek e Jéssica riam no meu sofá e minha família me odiava. Aqui dentro, diante desse homem lindo e poderoso, eu tinha uma chance. Ele não disse nada. Apenas abriu uma gaveta da mesa e de lá, ele tirou uma pequena caixa de veludo. — Eu mandei fazer isso semana passada — ele comentou casualmente. — Eu estava procurando a candidata ideal e decidi que essa mulher é você. Ele abriu a caixa. Um diamante solitário, enorme e límpido, brilhou sob as luzes do escritório. Era o anel mais bonito e ostensivo que eu já tinha visto. Dominic parou na minha frente novamente. A imponência do corpo dele bloqueava a luz da janela, envolvendo-me em sua sombra. Ele estendeu a caixa aberta na minha direção. — Diga sim, Dra. Reed, e seus problemas acabam agora. Você sai daqui como minha noiva, com sua carreira salva e o mundo aos seus pés. — Ele fez uma pausa enquanto seus olhos escuros perfuravam os meus. — Diga não, e você sai por aquela porta sem emprego, sem casa e com um processo criminal nas costas. O que vai ser? Capítulo 6: O Contrato de Diamante GRACE REED Olhei para o anel dentro da caixa de veludo. Aquele diamante valia mais do que todos os anos de salário que eu perderia se fosse demitida. Pensei em Derek e no sorriso cruel dele enquanto me expulsava do apartamento que eu pagava metade. Pensei em Brenda, minha "amiga", colocando medicamentos no meu armário para salvar a própria pele ou apenas por pura maldade. Pensei na minha família, que só me via como um talão de cheques ambulante. O mundo tinha sido cruel com a minha bondade. Talvez fosse hora de parar de ser boa e aceitar ser a intocável "Sra. Thorne". Ergui o olhar para Dominic que não parecia ansioso, ele estava certo da vitória e eu não iria contra suas expectativas. — Sim. Eu aceito. Dominic não sorriu abertamente, mas houve um brilho de triunfo naqueles olhos escuros. Sem dizer uma palavra, ele tirou o anel da caixa. Estendi minha mão esquerda e ele segurou meus dedos com firmeza, deslizando o anel. Passou pela articulação sem nenhum esforço e pousou na base do meu dedo como se tivesse sido moldado especificamente para a minha anatomia. — Perfeito. — Ele murmurou, ainda segurando minha mão, observando a joia. — Agora, devo cumprir minha parte do acordo. Ele soltou minha mão e pressionou um botão no interfone da mesa. — Sra. Potts, mande o chefe de segurança e a Diretora de RH virem para a minha sala. — Imediatamente, Sr. Thorne. A porta se abriu segundos depois. Um homem corpulento de uniforme e uma mulher de meia-idade com cara de poucos amigos entraram. — Sr. Thorne? — a mulher do RH perguntou. — Sente-se, Vivian. Você também, Jorge. Dominic nem se levantou, apenas girou o monitor do computador novamente. — Jorge, eu revisei as filmagens de segurança do corredor do dispensário. Vocês alegaram um ponto cego, correto? — Sim, senhor. A câmera 4 estava inoperante — o segurança respondeu. — Curioso. Porque eu acessei o servidor de backup da nuvem e a câmera 4 gravou perfeitamente. Parece que alguém tentou deletar o arquivo local, mas esqueceu que nosso sistema é espelhado. Dominic clicou em um arquivo. Na tela, com uma clareza em alta definição, apareceu Brenda. Ela olhava para os lados, digitava algo no teclado — minha senha, que ela devia ter decorado ao me ver digitar mil vezes — e enchia o armário com frascos. Senti um alívio tão grande que minhas pernas amoleceram. — Vivian. Quero a Dra. Brenda demitida por justa causa imediatamente. Notifique o conselho de medicina e a polícia. Entregue essas imagens como prova. — Sim, Sr. Thorne! Imediatamente! — A mulher anotou furiosamente em seu tablet. — E quanto à Dra. Reed? O processo de suspensão... Dominic se levantou, contornou a mesa e parou ao lado da minha cadeira. Ele colocou uma mão possessiva no meu ombro. Era uma mensagem clara para todos na sala: ela é minha. — A Dra. Reed é a vítima aqui. Quero um pedido formal de desculpas do hospital enviado a ela por escrito. E, a propósito... gostaria de informar que a Dra. Reed em breve será a Sra. Thorne. Qualquer desrespeito a ela será considerado um desrespeito a mim. Fui claro? — Cristalino, senhor. Eles saíram da sala tropeçando nos próprios pés. Assim que a porta se fechou, soltei o ar que prendia. — Você resolveu tudo em dois minutos... — Falei desacreditada. — Isso é o que o poder faz, Grace — Dominic disse, retirando a mão do meu ombro. — E agora você tem uma fatia dele. Tenho uma reunião com acionistas em dez minutos. Vou pedir para meu motorista te levar. — Me levar? Para onde? — Para a minha cobertura. Onde você mora agora. — Espere um pouco. Eu não posso simplesmente ir para a sua casa com a roupa do corpo. Eu preciso buscar minhas coisas. Meus livros, minhas roupas, documentos... tudo está no meu antigo apartamento. Dominic franziu a testa, parecendo incomodado com a inconveniência. — Compre tudo novo. Eu te dou um cartão sem limite. — Não é questão de dinheiro, Dominic. São as minhas coisas. Minha vida está naquelas caixas. E... — Cerrei os punhos. — Eu não vou dar para aqueles traidores a satisfação de ficarem com nada que é meu. — Traidores? — Longa história. — Hum, tudo bem. Mas seja rápida. Mandarei o endereço da cobertura para o seu celular. Te vejo à noite no jantar. Esteja em casa às sete, se não quiser ser severamente punida. — Ele sorriu com malícia. — Que consequências? — Engoli em seco.
O Novo Marco do Saneamento e a construção de novas infraestruturas no Brasil abriram uma demanda histórica. As empreiteiras que vencem licitações públicas buscam desesperadamente por um equipamento específico: a Escavadeira VOLVO EC140DL. Falta máquina no mercado, e quem tem este equipamento hoje, dita as regras. 🔥 A sua oportunidade de entrar neste mercado: > Equipamentos avaliados entre R$ 270 Mil e R$ 430 Mil. > Entrada incrivelmente acessível a partir de R$ 24.000. > Acesso direto a contratos de longa duração em obras públicas e privadas. A Invest Intermediação conecta o seu capital ganho no exterior diretamente a esta demanda, estruturando toda a sua operação com total segurança e gestão profissional. 👇 O mercado não espera. Clique em "Saiba mais" e fale com os nossos especialistas para garantir a sua máquina.
Cozinha Suja, Alma Ferida: Leon Luta por Seu Companheiro | Acesso Total Gratuito
No apocalipse, enquanto outros disputam pão mofado, eu tenho o trunfo de viajar entre o mundo moderno e o fim do mundo. Abro uma loja vendendo bolos, macarrão e lanches por 100g de ouro. Quer comer quente? Pague em ouro — eu dito as regras da sobrevivência.
Cozinha Suja, Alma Ferida: Leon Luta por Seu Companheiro | Acesso Total Gratuito
🥰 Assista a todos os vídeos gratuitamente
DATAS Mais apoio ao produtor rural, mais estrutura e mais desenvolvimento para Datas 💙🚜 Com articulação do senador Rodrigo Pacheco, Datas recebeu R$ 900 mil destinados à aquisição de maquinários, fortalecendo o trabalho no campo e levando mais condições para os pequenos produtores. Os equipamentos ajudam na manutenção de estradas rurais, no preparo da terra e no acesso às lavouras, garantindo mais agilidade, segurança e dignidade para quem vive da agricultura. Com mais estrutura, o produtor consegue trabalhar melhor, escoar sua produção com mais facilidade e contribuir ainda mais para o desenvolvimento do município. Um avanço importante para o campo, para as famílias agricultoras e para o futuro de Datas ✨ #Datas #MinasGerais #AgriculturaFamiliar #ProdutorRural #Maquinários #Desenvolvimento #RodrigoPacheco
Cozinha Suja, Alma Ferida: Leon Luta por Seu Companheiro | Acesso Total Gratuito
Cozinha Suja, Alma Ferida: Leon Luta por Seu Companheiro | Acesso Total Gratuito
Cozinha Suja, Alma Ferida: Leon Luta por Seu Companheiro | Acesso Total Gratuito
Atravessar para outro mundo é um pesadelo. Camila se vê no corpo de uma vilã de 150 quilos, odiada por todos os parceiros de nível S, até ser empurrada de um penhasco por uma serpente. Mas tudo muda quando ela desperta um sistema de conquista: quanto maior a afinidade, mais bela ela se torna — e começa a virar o jogo. De -99 até conquistar a todos… até que a serpente volta a encurralá-la.
Atravessar para outro mundo é um pesadelo. Camila se vê no corpo de uma vilã de 150 quilos, odiada por todos os parceiros de nível S, até ser empurrada de um penhasco por uma serpente. Mas tudo muda quando ela desperta um sistema de conquista: quanto maior a afinidade, mais bela ela se torna — e começa a virar o jogo. De -99 até conquistar a todos… até que a serpente volta a encurralá-la.
Minha gente, foi com muito orgulho e emoção que hoje o nosso governo deu mais um passo importante para continuar a transformação que estamos realizando desde o início de 2023 em um lugar de diversão e memória afetiva para gerações de crianças do Recife e de Pernambuco. O @governope, por meio da @meioambientepernambuco, da @cprh.pe, @seduhpe e da @fundarpe, assinou, junto com a população, um investimento de R$ 7 milhões para a primeira etapa da requalificação do nosso @parquedoisirmaospe. 🌳🦥🐍🪲 No total, o nosso governo está garantindo R$ 17,9 milhões para ações de preservação ambiental, bem-estar animal e conscientização ambiental, além da criação de um novo Parque Linear de livre acesso. O projeto inclui nova pavimentação, pista de corrida, parque infantil e áreas de convivência, devolvendo esse espaço de lazer às famílias pernambucanas. O tempo de abandono do Parque Dois Irmãos acabou! Um lugar que é espaço de diversão, mas também zoológico e unidade de conservação da Mata Atlântica, merece toda a nossa atenção e cuidado. Inclusive, para preservar as milhares de vidas que habitam o local. Que esse equipamento público seja, cada vez mais, um ponto turístico e, acima de tudo, um lugar onde todos os pernambucanos se sintam em casa. 🌿🐟🦔🪴 Em nome da administradora do parque, @saviaflorencio, e do deputado estadual @wandersonflorencio1, quero agradecer a cada funcionário e colaborador que tem se dedicado ao nosso parque e à transformação que esse espaço está vivendo. Muito obrigada! 🫶 Bora pra cima, porque o trabalho não para! 💜🚀
Atravessar para outro mundo é um pesadelo. Camila se vê no corpo de uma vilã de 150 quilos, odiada por todos os parceiros de nível S, até ser empurrada de um penhasco por uma serpente. Mas tudo muda quando ela desperta um sistema de conquista: quanto maior a afinidade, mais bela ela se torna — e começa a virar o jogo. De -99 até conquistar a todos… até que a serpente volta a encurralá-la.
Atravessar para outro mundo é um pesadelo. Camila se vê no corpo de uma vilã de 150 quilos, odiada por todos os parceiros de nível S, até ser empurrada de um penhasco por uma serpente. Mas tudo muda quando ela desperta um sistema de conquista: quanto maior a afinidade, mais bela ela se torna — e começa a virar o jogo. De -99 até conquistar a todos… até que a serpente volta a encurralá-la.
Atravessar para outro mundo é um pesadelo. Camila se vê no corpo de uma vilã de 150 quilos, odiada por todos os parceiros de nível S, até ser empurrada de um penhasco por uma serpente. Mas tudo muda quando ela desperta um sistema de conquista: quanto maior a afinidade, mais bela ela se torna — e começa a virar o jogo. De -99 até conquistar a todos… até que a serpente volta a encurralá-la.
🥰 Assista a todos os vídeos gratuitamente
Atravessar para outro mundo é um pesadelo. Camila se vê no corpo de uma vilã de 150 quilos, odiada por todos os parceiros de nível S, até ser empurrada de um penhasco por uma serpente. Mas tudo muda quando ela desperta um sistema de conquista: quanto maior a afinidade, mais bela ela se torna — e começa a virar o jogo. De -99 até conquistar a todos… até que a serpente volta a encurralá-la.
Atravessar para outro mundo é um pesadelo. Camila se vê no corpo de uma vilã de 150 quilos, odiada por todos os parceiros de nível S, até ser empurrada de um penhasco por uma serpente. Mas tudo muda quando ela desperta um sistema de conquista: quanto maior a afinidade, mais bela ela se torna — e começa a virar o jogo. De -99 até conquistar a todos… até que a serpente volta a encurralá-la.
Continue a assistir
Novo curto de 2026, clique para baixar e ver mais!
🚇📶 Wi-Fi nas estações de metrô e trem? Tô nessa luta!Apresentei o Projeto de Lei 525/2025 pra garantir sinal de Wi-Fi gratuito nas estações do Metrô e da CPTM em todo o estado de São Paulo. Essa ideia chegou até mim pelo jornalista Alex Müller, e fez total sentido: quem usa o transporte público merece ter acesso à informação, estudar, trabalhar e até se comunicar com a família enquanto espera o transporte. A tecnologia tem que servir ao povo. E o que a gente puder fazer pra melhorar a vida de quem pega transporte público todo dia, eu vou fazer. Tamo junto nessa caminhada! 🚆📲#VitãoDoCachorrão #WiFiNasEstações #TransporteDigno #PL5252025 #CPTM #MetrôSP #DeputadoEstadual #TecnologiaParaTodos #TrabalhoSério
Novo curto de 2026, clique para baixar e ver mais!
Cozinha Suja, Alma Ferida: Leon Luta por Seu Companheiro | Acesso Total Gratuito
Cozinha Suja, Alma Ferida: Leon Luta por Seu Companheiro | Acesso Total Gratuito
Alguns destaques da gestão Governo do Povo / MAURA JORGE. • Centro de Imagem fornecendo exames gratuitos para o povo? Temos! ✅ (tomografia, mamografia, ultrassom, raio-X etc.) • Policlínica com diversas especialidades? Temos! ✅ • Hospital Municipal em nível de hospital particular? Temos! ✅ • Centro de Reabilitação? Temos! ✅ • UBS da Mulher e UBS do Homem? Temos! ✅ • “Saúde na Palma da Mão”. O cidadão não precisa enfrentar filas: marca sua consulta pelo WhatsApp. Temos! ✅ • Laços de Amor, o primeiro do Maranhão, espaço voltado para crianças com necessidades específicas? Temos! ✅ • Distribuição permanente de alimentos, peixes, leite e cestas verdes, com apoio social constante às famílias carentes? Temos! ✅ • Referência no Maranhão em regularização fundiária, com entrega de títulos de propriedade? Temos! ✅ • Escolas de tempo integral totalmente estruturadas? Temos! ✅ • Escolas climatizadas, com auditório e espaço para 500 pessoas? Temos! ✅ • Frota de ônibus escolares à disposição das crianças? Temos! ✅ • Segurança pública referência no Maranhão, foi pioneira com videomonitoramento por drones, inteligência artificial e mais de 100 pontos de monitoramento? Temos! ✅ • Nos 365 dias do ano, várias frentes de bloquetes e asfalto acontecendo sem parar? Temos! ✅ Problemas e demandas a resolver? Em São Luís, Imperatriz, ou qualquer cidade do Maranhão sempre existirão. Mas o nosso diferencial é que o trabalho não para um dia sequer, e é mostrado semanalmente para todos, com muita transparência, através do Informativo Municipal.
Alguns destaques da gestão Governo do Povo / MAURA JORGE. • Centro de Imagem fornecendo exames gratuitos para o povo? Temos! ✅ (tomografia, mamografia, ultrassom, raio-X etc.) • Policlínica com diversas especialidades? Temos! ✅ • Hospital Municipal em nível de hospital particular? Temos! ✅ • Centro de Reabilitação? Temos! ✅ • UBS da Mulher e UBS do Homem? Temos! ✅ • “Saúde na Palma da Mão”. O cidadão não precisa enfrentar filas: marca sua consulta pelo WhatsApp. Temos! ✅ • Laços de Amor, o primeiro do Maranhão, espaço voltado para crianças com necessidades específicas? Temos! ✅ • Distribuição permanente de alimentos, peixes, leite e cestas verdes, com apoio social constante às famílias carentes? Temos! ✅ • Referência no Maranhão em regularização fundiária, com entrega de títulos de propriedade? Temos! ✅ • Escolas de tempo integral totalmente estruturadas? Temos! ✅ • Escolas climatizadas, com auditório e espaço para 500 pessoas? Temos! ✅ • Frota de ônibus escolares à disposição das crianças? Temos! ✅ • Segurança pública referência no Maranhão, foi pioneira com videomonitoramento por drones, inteligência artificial e mais de 100 pontos de monitoramento? Temos! ✅ • Nos 365 dias do ano, várias frentes de bloquetes e asfalto acontecendo sem parar? Temos! ✅ Problemas e demandas a resolver? Em São Luís, Imperatriz, ou qualquer cidade do Maranhão sempre existirão. Mas o nosso diferencial é que o trabalho não para um dia sequer, e é mostrado semanalmente para todos, com muita transparência, através do Informativo Municipal.
📍 Goiânia/Goiás — Viva onde segurança, natureza e qualidade de vida se encontram em perfeita harmonia 🌳✨. Um convite para transformar seu lar em uma experiência extraordinária 🏡. 🛡️ Segurança e exclusividade: portaria social e de serviço, controle de acesso e monitoramento 24h, garantindo tranquilidade total para sua família ❤️. 🎉 Lazer completo para todos: piscina 🏊, academia moderna 💪, quadras de esportes ⚽🎾🏐, playground 🎠, espaço kids 👧🧒, pet place 🐾, feirinha 🛍️, quiosques gourmet 🍖🔥, horta 🌱 e pomar 🍊. 💡 Infraestrutura sofisticada: iluminação subterrânea, ruas amplas e planejadas, paisagismo elegante 🌺🌳. 📍 Localização estratégica: próximo às principais conveniências da cidade, unindo praticidade e contato direto com a natureza 🌟. ✨ Mais do que viver bem, aqui você conquista um estilo de vida completo — onde a tranquilidade, o lazer e o seu novo capítulo se encontram. 👉 Clique em saiba mais.
Cozinha Suja, Alma Ferida: Leon Luta por Seu Companheiro | Acesso Total Gratuito
Cozinha Suja, Alma Ferida: Leon Luta por Seu Companheiro | Acesso Total Gratuito
Cozinha Suja, Alma Ferida: Leon Luta por Seu Companheiro | Acesso Total Gratuito
Cozinha Suja, Alma Ferida: Leon Luta por Seu Companheiro | Acesso Total Gratuito